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Deputado do PSDB comandará Comissão de Educação: "problema não é ideologia"

11.dez.2018 - Deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) durante entrevista - Cleia Viana/Câmara dos Deputados
11.dez.2018 - Deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) durante entrevista Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

11/03/2019 14h32

O PSDB, partido que sofreu um dos maiores reveses nas urnas em 2018, terá sob seu comando a Comissão de Educação da Câmara. Pela comissão tramitarão projetos chave para a agenda conservadora do governo Jair Bolsonaro (PSL) como Escola sem Partido e educação domiciliar.

A indicação foi confirmada ao UOL pelo líder do partido na Casa, Carlos Sampaio (PSDB-SP). A comissão é uma das cinco mais disputadas da Câmara, e os tucanos apostam que seja importante comandá-la para voltar ao protagonismo em debates nacionais.

O PSDB, que ajudou a viabilizar o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, quando era a 3ª maior bancada, com 54 nomes, agora está na modesta 7ª posição na Câmara, com 30 deputados.

Pedro Cunha Lima será presidente da comissão

A presidência ficará a cargo de Pedro Cunha Lima, tucano eleito pela Paraíba. O parlamentar tem posições contrárias ao Escola sem Partido - projeto que limita a atuação do professor na sala de aula. O tucano já chamou o projeto de "cortina de fumaça" e disse estar aberto a negociar "tecnicamente" a educação domiciliar.

Eu não acho que a solução da educação no Brasil seja ideológica. Não acho que nosso problema seja ideologia, mas sim uma falta de investimento no professor, de rede de financiamento para creche, para educação básica."

Pedro Cunha Lima, deputado do PSDB.

Devem participar do colegiado como membros outros deputados jovens: Tabata Amaral (PDT-SP), Tiago Mitraud (Novo-MG) e Marcelo Calero (PPS-RJ).

O paraibano disse que priorizará o combate à evasão escolar, medidas para aprimorar a carreira do professor e financiamento da educação infantil. "Aquilo que importa, efetivamente, para o desafio imenso que o Brasil tem na educação."

Questionado sobre o relacionamento com a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e o Ricardo Vélez (Educação), disse que debaterá os temas de forma "democrática" com o governo.

Os dois ministros integram a ala ideológica e conservadora do governo Bolsonaro e devem tratar de projetos que tramitarão pela Comissão de Educação.

"A prioridade das pautas não será um monopólio. Existe uma disposição para escutarmos as coordenações de cada bancada e construir [a pauta] juntos. De minha parte, eu vou sempre buscar dar prioridade radical à primeira infância. Acho ridículo o Brasil não ter vencido essa pauta da alfabetização, que é algo que a gente tem 200 anos de atraso", analisou.

Comissões devem ser formadas nesta semana

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se reunirá na noite de hoje (11) com lideranças da Câmara para tentar montar as 25 comissões permanentes da Câmara. A principal delas, CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), estará com o PSL. 

Segundo a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), seus correligionários Felipe Franceschini (PR) e Bia Kicis (DF), ocuparão, respectivamente, presidência e vice.

É por ela que a Proposta de Emenda à Constituição terá sua primeira tramitação, onde deverá ser aprovada para continuar viva na Câmara. 

Outra comissão relevante, a de Finanças e Tributação era disputada pelo PSL desde a eleição de Maia, e  deverá ficar com o MDB, segundo relataram lideranças do partido ao UOL.

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