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Após protesto em universidade, Bolsonaro altera agenda em São Paulo

Luciana Amaral e Bernardo Barbosa

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

27/03/2019 13h49Atualizada em 27/03/2019 18h47

Após protesto de estudantes na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo hoje pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) cancelou a ida ao local e transferiu a agenda para o Comando Militar do Sudeste, também na capital paulista.

No final da manhã, universitários do Mackenzie promoveram uma manifestação contra a presença de Bolsonaro no campus. Os alunos afirmaram que o presidente representa o "avanço do extremismo político, do nacionalismo e da intolerância" e criticaram o apoio de Bolsonaro a comemorações do golpe militar de 1964.

O governador de SP recebeu o presidente Jair Bolsonaro - Reprodução/Facebook
O governador de SP recebeu o presidente Jair Bolsonaro
Imagem: Reprodução/Facebook

Em comunicado interno, o gabinete da reitoria afirmou que a visita do presidente havia sido cancelada, mas não deu mais detalhes sobre os motivos da mudança. Segundo a assessoria do Comando Militar do Sudeste, a transferência de local ocorreu por "motivo de adequação".

De acordo com os militares, o credenciamento para que a imprensa acompanhe o evento havia sido realizado pelo Mackenzie e já estava encerrado. No entanto, procurada pelo UOL, a universidade se limitou a dizer que não sabia sobre mudanças na agenda de Bolsonaro nem sobre o credenciamento.

Por sua vez, o Palácio do Planalto trata a visita como uma agenda privada do presidente, não informou seu paradeiro, a razão dos compromissos nem a alteração do local.

Embora não constasse da agenda oficial, a visita de Bolsonaro à universidade estava programada para acontecer no início da tarde. Ele iria conhecer pesquisas da instituição com grafeno, material flexível e mais resistente do que o aço.

No início da tarde, pelo Twitter, Bolsonaro mencionou o encontro com pesquisadores no Comando Militar do Sudeste. Mas não citou o motivo de a reunião não ter ocorrido na universidade.

Oração e presentes

No Comando Militar, Bolsonaro participou de uma roda de oração junto a Doria, ao prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), ao ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e a integrantes do Mackenzie.

Ao lado de Michelle, o presidente ganhou um vaso de orquídea e uma Bíblia. No momento, citou o versículo de João 8.32: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".

Após receber os presentes, todos seguiram para o auditório do local a fim de ver as apresentações sobre as possíveis aplicações do grafeno no dia a dia da sociedade.

Em discurso no evento, Bolsonaro afirmou querer que o Brasil esteja na vanguarda de pesquisas com grafeno no mundo e disse que o primeiro prêmio Nobel do país -- de excelência científica e em outras frentes de estudos -- pode vir da área.

"Quem sabe o nosso primeiro prêmio Nobel venha daí um dia, né? Quem sabe, tá certo? Eu tenho esperança que sim", declarou.

Ele também afirmou que o ministro Marcos Pontes foi muito criticado ao ser anunciado como titular da pasta de Ciência e Tecnologia e o defendeu, pedindo até uma salva de palmas ao astronauta.

Consulta médica

No fim da tarde, Bolsonaro compareceu ao Hospital Israelita Albert Einstein, onde passou por uma avaliação médica.

De lá, seguiu para uma reunião da Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social), em que apenas parte da imprensa teve a entrada permitida por assessores da Presidência presentes no local.

Só equipes das TVs SBT, Record, Band, RedeTV! e Cultura acompanharam o evento, no qual Bolsonaro concedeu uma entrevista ao lado do governador paulista, João Doria (PSDB). O presidente deve voltar para Brasília ainda hoje.

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