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PSOL pede que PGR apure vídeo do Planalto elogiando golpe de 1964

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

02/04/2019 14h38

O PSOL protocolou hoje uma representação na PGR (Procuradoria-Geral da República) para que seja investigada a origem, a fonte dos recursos e a promoção do vídeo em defesa ao golpe militar de 1964 distribuído pelo Palácio do Planalto.

O documento pede ainda que a PGR apure as responsabilidades, "por ação e omissão", do presidente Jair Bolsonaro e dos ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Carlos Alberto Santos Cruz (Secretaria de Governo) na produção e divulgação do material.

Divulgado a partir de telefone do Planalto

O vídeo foi divulgado domingo por um telefone utilizado pelo Planalto para distribuir informações à imprensa.

Não havia logomarca do governo na publicação, e a assessoria de imprensa do Planalto não quis comentar quem havia produzido a peça.

Hoje, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, que acompanha o presidente Jair Bolsonaro em viagem a Israel, afirmou que o vídeo é um assunto "encerrado".

PSOL pede urgência

Na representação, os deputados federais do PSOL dizem que a investigação é "urgente", em respeito a legislação nacional e aos tratados internacionais de direitos humanos, dos quais o Brasil é signatário.

Segundo o documento, a divulgação do vídeo constitui ato de improbidade administrativa, por atentar contra "princípios da administração pública, da moralidade, da legalidade e da lealdade às instituições".

"O ato do presidente da República e dos ministros é extremamente grave e atenta contra a Constituição, o ordenamento vigente e diversos tratados internacionais que o país voluntariamente se comprometeu a cumprir", diz o texto do PSOL.

Além do documento, também foram protocolados dois requerimentos destinados ao ministro Carlos Alberto Santos Cruz, sendo um para o envido de informações e outro para que ele compareça à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática para prestar esclarecimentos sobre o vídeo.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) falou sobre o pedido de investigação no Twitter. "Usar dinheiro público num filme que exalta a ditadura e suas atrocidades é criminoso", afirmou em postagem.

Empresário assume autoria do vídeo

O empresário paulista Osmar Stabile afirmou ao site Congresso em Foco ser o responsável pela gravação do vídeo.

Ele disse que produziu a peça por sua iniciativa e com recursos próprios.

Em nota, o empresário diz ser um "entusiasta do contragolpe preventivo", pois, segundo ele, é "assim que boa parte que os historiadores sem ideologias pré-concebidas enxergam '1964'".

Ator diz que não pode se manifestar

Paulo Amaral, o ator que interpreta o defensor do golpe militar de 1964 disse estar impedido de se pronunciar sobre o assunto.

"Estou sob sigilo. Não posso falar nada. O meu negócio era gravar um texto", disse ao site Congresso em Foco.

Na peça, o homem dá sua visão para os fatos da época.

"Era sim um tempo de medo e ameaças, ameaças daquilo que os comunistas faziam onde era imposto sem exceção. Prendiam e matavam seus próprios compatriotas. Havia sim muito medo no ar", diz o ator.

Ele termina afirmando que o Exército salvou os brasileiros. "Não dá para mudar a história", diz.

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