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"Não sou corrupto, basta olhar minhas contas", diz Temer

05.out.2018 - Temer faz pronunciamento sobre 30 anos da Constituição Federal - José Cruz/Agência Brasil
05.out.2018 - Temer faz pronunciamento sobre 30 anos da Constituição Federal Imagem: José Cruz/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

04/04/2019 20h40

O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que não é corrupto e teceu duras críticas aos procuradores do Ministério Público Federal. "Eu não sou [corrupto], absolutamente não. Basta verificar minhas contas. Tenho pequenas e modestas quantias no banco, resultantes de 58 anos de trabalho duro", disse o ex-presidente em entrevista à Band hoje.

O Banco Central bloqueou R$ 8,2 milhões em contas bancárias de Temer no fim de março - o juiz Marcelo Bretas havia determinado o bloqueio de R$ 62,5 milhões.

Para Temer, que se tornou réu pela quarta vez este ano após a Justiça de São Paulo acatar uma denúncia feita pelo MPF, a Polícia Federal realizou um "espetáculo" ao prendê-lo no último dia 21. O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da Justiça Federal no Rio de Janeiro e responsável pela Operação Lava Jato no estado.

"Eu sou do mundo jurídico. Se alguém, delegado ou agentes da Polícia Federal, viessem a minha casa e meu escritório e falassem 'nós temos um mandado prisão' eu ia falar o que? Sacar uma metralhadora? Não, iria cumprir o que a ordem jurídica estabelece. Mas não, fizeram o espetáculo", criticou o ex-presidente.

Defesa à filha

O ex-presidente também disse que os procuradores do Ministério Público Federal tentam atingi-lo por meio de sua filha, "que não tem nada a ver com isso."

Temer faz referência, principalmente, ao processo instaurado na Justiça paulista, onde o MPF o acusa de ter utilizado verbas provenientes de propinas da obra de Angra 3 para financiar uma reforma na casa de sua filha Maristela Temer.

Olhando para a câmera, afirmou: "Quero dizer isso para os procuradores. Tenham um pouco de vergonha emocional, não envolvam minha filha nisso, minha filha não tem nada a ver com isso. Eles querem usar minha filha para me quebrar psicologicamente, não quebrarão".

Após ser solto, quatro dias depois da operação da Lava Jato, Temer disse que chegou com "uma vergonha no peito" em casa e que os agentes da Polícia Federal tiveram cuidados para não expor a situação ao filho Michel, de dez anos.

"A PF entrou aqui, com toda a delicadeza, revirou tudo e saiu com uma sacolinha. Eles acharam que iam sair com várias malas enormes, obras de arte e saíram com uma sacolinha com dois ou três celulares, dois Ipad's e duas agendas.", disse Temer.

Outras denúncias

Além da denúncia aceita hoje, Temer é réu em outros três processos. A investigação sobre Angra 3 já gerou duas denúncias contra Temer no Rio de Janeiro, ambas aceitas pelo juiz Marcelo Bretas nesta semana. Em um caso, Temer é réu por peculato (desvio de recursos públicos em benefício próprio) e lavagem de dinheiro. Em outro, ele é acusado também de lavagem e de corrupção.

Temer também já tinha se tornado réu em outra ação na semana passada, na Justiça Federal do Distrito Federal, no processo que apura se o ex-presidente era um dos beneficiários de propina da empresa JBS.

A ação ficou conhecida como "caso da mala", porque o ex-assessor de Temer e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (MDB) foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil das mãos do executivo da companhia Ricardo Saud. O MPF afirma que, no total, os pagamentos de propina poderiam atingir o valor de R$ 38 milhões ao longo de nove meses.

A denúncia foi apresentada pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot em 2017. Como Temer ainda era presidente e detinha foro privilegiado, o STF (Supremo Tribunal Federal) submeteu a investigação ao crivo da Câmara dos Deputados, que barrou a denúncia. Com a saída de Temer, a denúncia foi encaminhada à primeira instância.

Em entrevista, Temer se defende das acusações do MPF

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