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Damares: Na minha concepção cristã, mulher no casamento é submissa ao homem

Damares: Na minha concepção cristã, mulher no casamento é submissa ao homem

UOL Notícias

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

2019-04-16T19:06:49

16/04/2019 19h06

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou hoje, durante audiência na Câmara dos Deputados, que dentro da sua "concepção cristã", a mulher deve ser submissa ao homem no casamento.

"Lá dentro da igreja, nós entendemos que no casamento entre homem e mulher, o homem é o líder", disse a ministra.

Isso quer dizer que a mulher tem de abaixar a cabeça para o agressor, para os homens que estão aí? Não, mas dentro da minha concepção cristã, a mulher no casamento é submissa ao homem
ministra Damares Alves

"Isso não me faz menos capaz de dirigir este ministério. Não me faz mais incompetente. É uma questão de fé lá dentro do meu segmento", completou a ministra.

A fala de Damares, dita durante audiência da comissão de defesa dos direitos da mulher, veio após um questionamento da deputada federal Alice Portugal (PC do B), que perguntou a posição da ministra em relação à flexibilização da posse de armas de fogo, fazendo referência ao decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em janeiro.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL) também perguntou à ministra sua posição sobre as armas, argumentando que o decreto pode ser prejudicial às mulheres e que casos de feminicídio podem aumentar.

Damares, no entanto, se esquivou. "Tenho sido o mais imparcial possível nesse ministério, por isso deixo elas [perguntas sobre armas] para um segundo momento. O homem mata com os dentes, com a mão", disse ela. "O que nós podemos fazer é um debate bem técnico sobre o impacto disso na violência contra a mulher. Não da para a gente já dizer que impactou, é tudo uma expectativa de que pode aumentar."

"Ministério mais extraordinário"

Durante a abertura da sessão, a ministra mostrou uma apresentação de slides onde destrinchou todos os detalhes da atuação do ministério em relação às políticas para mulheres. "Tá todo mundo perguntando que ministério é esse, eu começo a dizer em todos os lugares que é o mais extraordinário, espetacular e lindo ministério do governo Bolsonaro", disse.

Pouco depois da primeira parte da apresentação, quem estava presente na sessão assistiu a um vídeo com detalhes sobre a violência da mulher no Brasil.

Entre os objetivos da pasta elencados por Damares estão algumas mudanças no canal de denúncias 180, como incluir redes sociais e aplicativos de mensagem de texto nessa comunicação. "Programas de governos anteriores que estão dando certo vão continuar", afirmou ela.

"Aborto é discussão do parlamento"

Cobrada por alguns parlamentares sobre políticas públicas relacionadas ao aborto, a ministra reiterou sua posição contrária, mas disse que isso "não vai nortear" o ministério. "Não vou fazer essa discussão, é uma discussão do parlamento", disse Damares. "A política pública com relação ao aborto é desenvolvida pelo ministério da Saúde, então deixa o ministro Mandetta lá cuidando disso, eu vou cuidar de mulheres, vou lutar para que a gente salve mulheres."

Também foi assunto recorrente entre os parlamentares a indicação, por parte de Damares, do maquiador Agustin Fernandez para ser um dos colaboradores de uma campanha de combate à violência contra a mulher. Sâmia Bomfim, por exemplo, perguntou a Damares se haverá funcionários do programa -- que terá como objetivo alertar mulheres que frequentam salões de beleza -- com conhecimento técnico no assunto, deixando claro que apoia esse tipo de iniciativa.

"A escolha dele não é porque ele tem lindos olhos azuis, fala bem, foi todo um trabalho técnico. Nós precisávamos de um profissional da área da beleza que estivesse em ascensão, muito conhecido. Esse menino tem quase três milhões de seguidores, portanto houve uma escolha técnica por ser ele, e ele está chamando os demais [maquiadores] para esse debate", disse Damares sobre Fernandez, conhecido pelas opiniões contrárias ao movimento LGBTQ e por ser entusiasta de Jair Bolsonaro.

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