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"Nossos heróis não cheiram", diz Bolsonaro após homenagem a pracinhas no RJ

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) participa de cerimônia em comemoração ao Dia da Vitória, no Rio de Janeiro - Wilton Júnior/Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) participa de cerimônia em comemoração ao Dia da Vitória, no Rio de Janeiro Imagem: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

08/05/2019 13h33

Durante cerimônia que comemorou os 74 anos da vitória dos aliados sobre as tropas nazifascistas na Segunda Guerra Mundial, em 1945, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) comentou a importância de celebrar os ex-combatentes brasileiros vivos.

"O politicamente correto colocou que nossos heróis são outros. Mas os nossos heróis não cheiram e mostram o que ofereceram no passado pela nossa liberdade. Eles combateram o nazismo e o fascismo, por exemplo. Exatamente aquilo pelo que a esquerda nos acusa", afirmou à imprensa após o evento, realizado no Rio de Janeiro.

Bolsonaro concedeu a Medalha da Vitória a três pracinhas vivos e valorizou aqueles que morreram na Segunda Guerra Mundial.

"Não tem preço estar ao lado de pessoas que, no passado, garantiram algo mais importante que a nossa vida: a nossa liberdade. Minha continência, meu respeito e a minha admiração aos homens ao meu lado. Estes são os heróis da nossa pátria. Jovens que foram à Itália sem saber se voltariam ao Brasil. Muitos não voltaram, mas trouxeram a chama, a verdade e a certeza de que o Brasil gozará de liberdade e democracia. Esses heróis, um dia nos deixarão, mas seu exemplo jamais será esquecido", discursou.

Questionado durante entrevista à imprensa se elogios feitos às Forças Armadas durante o evento indicariam um posicionamento diante dos embates entre o ideólogo Olavo de Carvalho e militares, Bolsonaro se recusou a responder e disse que "essa não é uma pergunta inteligente". Em discurso, o presidente disse acreditar nas Forças Armadas, mas também afirmou que "nós, o povo, podemos sim comandar".

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Bolsonaro também se recusou a responder questionamentos sobre como ele via denúncia feita à ONU (Organização das Nações Unidas) contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), em razão de recordes de mortes em confrontos policiais no estado. O presidente reagiu novamente questionando os repórteres se não teriam "uma pergunta mais inteligente".

Sobre o decreto assinado ontem que flexibiliza o porte de armas a atiradores esportivos e caçadores, Bolsonaro disse se tratar de uma promessa de campanha. "Não posso ir além da lei, tudo o que puder ser feito através de decreto, farei. Desta forma estou legitimando um desejo da população", concluiu.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.