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Após elogiar Olavo, Bolsonaro afaga militares e diz crer nas Forças Armadas

"Acredito nas Forças Armadas", diz Bolsonaro

UOL Notícias

Gabriel Sabóia e Stella Borges

Do UOL, no Rio e em São Paulo

08/05/2019 12h13

Após elogiar Olavo de Carvalho em meio a um embate entre o grupo ligado ao ideólogo e a ala militar de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez hoje um afago às Forças Armadas durante cerimônia de comemoração do Dia da Vitória e de Imposição da Medalha da Vitória, na região central do Rio de Janeiro. O ex-capitão do Exército disse crer na união das Forças Armadas e do povo brasileiro em prol do país, mas também afirmou que "nós, o povo, podemos sim comandar".

"Eu acredito nas Forças Armadas brasileiras. Nós acreditamos no povo brasileiro. E juntos poderemos sim fazer um Brasil diferente do que nos foi legado nos últimos anos. Porque nós, o povo, podemos sim comandar e cada um cumprir o seu papel tendo como lema e tendo como norte simplesmente o exemplo. Esse é o nosso governo. Queremos sim pelo exemplo governar o nosso Brasil. E ao lado de pessoas de bem e patriotas, que tenham na alma as cores verde e amarela, colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece', discursou o presidente.

Após a cerimônia, Bolsonaro se recusou a responder a perguntas sobre a crise entre militares e o grupo ligado a Olavo de Carvalho. "Não tem uma pergunta mais inteligente?", disse o presidente a um jornalista.

Nos últimos dias, Olavo trocou farpas com o ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz, e com o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) também é alvo dos ataques do escritor, endossados pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), um dos filhos do presidente.

Irritados, os militares, por meio do general Villas Bôas, um dos nomes mais respeitados nas Forças Armadas, deram seu recado. Na segunda-feira (6), em sua conta no Twitter, o ex-comandante do Exército disse que o autodenominado filósofo é um verdadeiro "Trótski de direita" e que "age no sentido de acentuar as divergências nacionais".

No dia seguinte, Bolsonaro também foi às redes sociais, mas para defender e expressar sua admiração por Olavo de Carvalho. "Continuo admirando o Olavo. Quanto aos desentendimentos ora públicos contra os militares, aos quais devo minha formação e admiração, espero que seja uma página virada", escreveu o presidente.

Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" publicada ontem, Villas Bôas, que atualmente exerce o cargo de assessor especial do general Augusto Heleno Ribeiro, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), disse que Olavo "passou do ponto", está agindo com "total desrespeito aos militares e às Forças Armadas" e "presta enorme desserviço ao País".

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.