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Witzel nomeia condenada em esquema que levou Garotinho à prisão

Ricardo Minussi/Divulgação
O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC) Imagem: Ricardo Minussi/Divulgação

Igor Mello

Do UOL, no Rio

2019-05-25T04:00:00

25/05/2019 04h00

O governador Wilson Witzel (PSC) nomeou na última terça-feira (21) para um cargo comissionado no governo do Rio de Janeiro uma das condenadas na Operação Chequinho, investigação que levou o ex-governador Anthony Garotinho à prisão.

Roberta Moura foi nomeada para o cargo de assessora-chefe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Relações Internacionais. A pasta é comandada por Lucas Tristão, ex-aluno e ex-sócio do governador em um escritório de advocacia, considerado muito próximo de Witzel. Ela atuou como vereadora na cidade de Campos dos Goytacazes, tendo assumido momentaneamente o mandato como suplente.

Segundo uma fonte com entrada na política do norte fluminense ouvida pelo UOL, a nomeação de Roberta Moura para um cargo de destaque no governo Witzel não é uma surpresa. Ela teria ajudado informalmente a equipe de transição do governador. Na última quinta-feira (23), o governador esteve em Campos, onde participou do Rio Agro Coop, evento onde se reuniu com cerca de 500 produtores rurais da região. Roberta esteve presente no evento, mas, discreta, evitou posar para fotos ao lado de Witzel.

Dias antes de ganhar um cargo no governo, em 13 de maio, Roberta sofreu um revés na Justiça: foi condenada em primeira instância a cinco anos e três meses de reclusão em regime semiaberto, além de multa. A decisão do juiz Elias Pedro Sader Neto, da 76ª Zona Eleitoral (Campos dos Goytacazes), também determina "a perda do cargo, função pública ou mandato eletivo que estiverem, eventualmente, a ocupar". Roberta ainda pode recorrer da condenação.

Ex-juiz federal, Witzel se lançou na vida pública com a bandeira do combate à corrupção e a defesa da Operação Lava Jato. Durante os debates eleitorais, atacou adversários por conta de denúncias, em especial o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM-RJ), citado por delatores da Lava Jato. "Você representa a política que o povo do Rio de Janeiro não quer mais", disse Witzel para o rival em um debate.

Após prometer montar um secretariado técnico, sem indicações da política tradicional, o governador encaixou em sua equipe nomes como o deputado federal Felipe Bornier (PROS-RJ), filho do ex-prefeito de Nova Iguaçu Nelson Bornier, e o ex-deputado estadual Pedro Fernandes (sem partido), filho da vereadora Rosa Fernandes (MDB).

Operação Chequinho denunciou compra de votos

Deflagrada pela Polícia Federal em 2016, a Operação Chequinho apontou a articulação de um esquema, na prefeitura de Campos, para utilizar o programa de transferência de renda Cheque Cidadão --uma das principais bandeiras políticas do clã Garotinho-- para compra de votos nas eleições daquele ano.

Os investigadores apontaram que, às vésperas do pleito, o número de beneficiários do programa da prefeitura de Campos --que era comandada pela ex-governadora Rosinha Garotinho-- foi significativamente ampliado, sem que os beneficiários passassem por processos de triagem. A sentença aponta que Roberta teria sido a responsável por indicar a gestora do Cheque Cidadão em Campos, e teria sido beneficiada pelo uso eleitoral do programa.

Por conta da operação, o ex-governador Anthony Garotinho foi preso preventivamente em novembro de 2016 por, segundo a Justiça, coagir testemunhas e tentar atrapalhar as investigações. Ele voltaria a ser detido em setembro de 2017, após ser condenado em primeira instância a nove anos de 11 meses de prisão na Operação Chequinho. A decisão judicial determinou que ele ficasse em prisão domiciliar.

Em novembro de 2017, Garotinho foi preso novamente, dessa vez em decorrência da delação premiada de Ricardo Saud, executivo do grupo J&F, e depoimentos de empresários de Campos. Na ocasião, os investigadores afirmaram que Garotinho e sua mulher Rosinha, também detida, faziam parte de uma organização criminosa que arrecadava recursos ilícitos para financiamento de campanhas eleitorais.

Em todos os casos, as prisões foram revertidas por decisões da Justiça. Garotinho se disse alvo de perseguição e apontou um suposto viés político nas investigações da Operação Chequinho, fazendo denúncias contra o delegado e o juiz responsáveis pela operação.

Garotinho resiste à transferência para Bangu após ser preso na Operação Chequinho

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Outro lado

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Relações Internacionais afirmou que manterá a nomeação porque "o processo [de Roberta] ainda não transitou em julgado, e sequer a sentença foi publicada. Portanto, ela não pode ser considerada culpada".

A pasta também negou que Roberta tenha sido indicada pela família Garotinho: "Roberta é assistente social qualificada e foi selecionada, em um processo de seleção isento, pela superintendência de RH [Recursos Humanos] da pasta, após enviar seu currículo para análise e entrevista pessoal", completou.

No final da tarde de ontem, o UOL conseguiu falar com Roberta em seu telefone celular, e ela pediu que as perguntas fossem encaminhadas pelo aplicativo WhatsApp. Entretanto, até o momento, ela não as respondeu.

Ela não é a única figura nomeada para cargos importantes no governo Witzel ligada ao clã Garotinho. O governador escolheu Cleiton Rodrigues, coordenador das campanhas de Anthony Garotinho ao governo do estado em 2014 e 2018, como seu chefe de gabinete. Antes de atuar com o ex-governador, Cleiton trabalhou com Cesar Maia, ex-prefeito do Rio.

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