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Política

Convenção evidencia DEM dividido sobre governo Bolsonaro

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

30/05/2019 13h20

A Convenção Nacional do DEM, que aconteceu hoje em Brasília, evidenciou divisões internas na sigla. Apesar de o partido ter três ministros no Palácio do Planalto --escolhidos por Jair Bolsonaro (PSL), e não indicados pela legenda--, não há consenso sobre um embarque no governo. Desde janeiro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem tido embates públicos com Bolsonaro e impôs derrotas ao governo.

Um dos nomes que saíram em defesa de Bolsonaro, na convenção, foi o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele disse que o partido precisa se posicionar junto ao governo. "Agora é hora de posição clara. Temos que ter posição. A minha posição é: 'eu apoio o governo Bolsonaro. Amanhã quem será o candidato se o governo não der certo?'", disse Caiado.

Após pedir apoio a Bolsonaro, Caiado foi aplaudido por todas as lideranças e partidários, com exceção de dois nomes. Maia permaneceu de braços cruzados, e o líder do DEM na Câmara, Elmar Nascimento (BA), braço direito de Maia, evitou as palmas.

O articulador do governo, Onyx Lorenzoni (DEM), ministro-chefe da Casa Civil, também reforçou que o partido deve apoiar Bolsonaro e falou em Deus ao enaltecer o presidente. "Eu sou homem de fé. Proclamo minha fé em Deus publicamente. E esse homem [Bolsonaro] foi escolhido. Foi escolhido para fazer transformação para dar consequência à aliança liberal democrata. Caiado, essa é a nossa chance", disse Onyx.

Maia: "Ser ou não ser governo não é o mais importante"

Maia foi ao púlpito depois do governador e do ministro. Ele disse que o país precisa de partidos fortes e que os Poderes têm independência.

"Ser ou não ser governo não é o mais importante. O mais importante é ser a favor de uma agenda que construa um futuro melhor para população brasileira. Esse deve ser sempre o compromisso do nosso partido. E não é tudo responsabilidade do Parlamento", disse Maia a Caiado.

O presidente da Câmara também ponderou que as responsabilidade nos três Poderes são compartilhadas. "Não podem transferir todas as responsabilidades e todos os males do Brasil para Câmara dos Deputados e para o Senado. O Brasil está precisando de racionalidade e equilíbrio. Menos discurso para fora e mais compromissos com a pauta de mudanças que esse país precisa."

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), seguiu a linha de Maia e pontuou descontentamento de parlamentares com a articulação do governo.

"Temos muitos desafios pela frente. Nesse novo modelo de coalizão implementado pelo novo governo, há sim algum descontentamento. Mas você [Onyx] é o nosso interlocutor, você tem conseguido levar a mensagem não de velha ou de nova política a este governo. Mas da boa política que é o que o Democratas está fazendo", disse Davi.

No cenário político atual, o partido tem três ministros, além do presidente do Senado e da Câmara. Mas isso não garante coalizão para Bolsonaro aprovar projetos.

Um dos desafetos internos de Maia, Onyx Lorenzoni, foi escolhido por Bolsonaro para o cargo de ministro. Assim como Tereza Cristina (Agricultura) e Luiz Mandetta (Saúde). O partido não indicou nenhum deles.

Um dos poucos pontos de consenso da convenção, além da recondução de ACM Neto, prefeito de Salvador, à presidência foi a aprovação de uma moção pela Previdência. O partido também se mostrou, institucionalmente, favorável às mudanças nas aposentadorias.

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