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Bretas decide que Lamborghini de Eike e lancha de Cabral vão a leilão no RJ

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

24/06/2019 13h34

Um lote de bens apreendidos pela força-tarefa da Operação Lava Jato será leiloado nos dias 4 e 18 de julho na sede da Justiça Federal no Rio de Janeiro, por determinação do juiz federal Marcelo Bretas --responsável pelas ações em primeira instância da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Entre os itens que vão a pregão estão a lancha Manhattan Rio, que era do ex-governador do estado Sérgio Cabral (MDB), e a Lamborghini Aventador, de propriedade do empresário Eike Batista. O veículo decorava a sala da casa de Eike, no Rio, quando ele figurava entre os homens mais ricos do mundo.

De acordo com o site responsável pelo leilão, o lote a ser arrematado é composto por duas lanchas, duas motos aquáticas, um jet boat, três carros e dois imóveis. No total, os itens somam R$ 12,5 milhões em valor de mercado.

Lamborghini de Eike Batista apreendida pela Lava Jato será leiloada no Rio - Reprodução/Polícia Federal
Lamborghini de Eike Batista apreendida pela Lava Jato será leiloada no Rio
Imagem: Reprodução/Polícia Federal

De acordo com o leiloeiro Renato Guedes, responsável pelos lances, o primeiro leilão aceitará propostas iguais ou superiores aos valores de mercado estipulados pelo edital. No segundo leilão, realizado caso o primeiro não tenha lances, serão aceitos valores correspondentes a até 75% dos valores de mercado dos itens.

A lancha de Cabral tem lance inicial de R$ 2,95 milhões. Já a Lamborghini de Eike tem valor estimado de R$ 2,2 milhões. O empresário tem ainda outro bem leiloado: a lancha Spirit Of Brazil, que custará R$ 3,5 milhões.

Também chama a atenção, entre os itens à venda, a fazenda Três Irmãos, de Carlos Miranda, um dos principais operadores financeiros de Cabral identificados pela Lava Jato. O custo dela é de R$ 3 milhões.

Os valores arrecadados no leilão serão depositados na Caixa Econômica Federal até o fim dos processos da Lava Jato no Rio.

Desde fevereiro, Cabral tem mudado a linha de defesa

Preso desde novembro de 2016 e condenado a 198 anos e seis meses de prisão em processos derivados da Lava Jato, Cabral foi denunciado 29 vezes. Ele trocou a sua defesa em dezembro. Antes, ele assumia o caixa 2 em campanhas, mas jamais falava em corrupção. Após a troca de advogados, mudou a estratégia.

Em fevereiro deste ano, Cabral admitiu pela primeira vez o recebimento de propina durante seus dois mandatos e apontou o ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB) como recebedor de valores indevidos.

Em abril, durante depoimento a Bretas, chegou a pedir desculpas à população por ter participado de esquemas de corrupção e citou ao menos seis políticos que teriam participado de negociatas.

"A fronteira entre o legítimo e o ilegítimo vai se perdendo, você vai fragilizando os seus conceitos éticos, de regras e princípios", afirmou ele.

Questionado por Bretas quanto ao porquê de seguir recebendo propina, mesmo depois de já ter recebido mais de R$ 100 milhões em valores indevidos, e disse que era uma questão de "amor ao poder". "Tem pessoas que falam comigo: 'você poderia ter sido presidente do Brasil, poderia ter dado mais colaboração ao Brasil'. Poderia se eu não tivesse errado."

Outros bens de Cabral já foram a leilão

Em setembro do ano passado, uma casa de luxo do ex-governador na cidade de Mangaratiba, litoral sul do estado, foi leiloada por R$ 6,4 milhões, valor estabelecido como lance mínimo para o imóvel na sessão.

O imóvel recebeu um único lance. O valor mínimo estipulado é 20% menor do que o tentado na primeira tentativa de venda, que não atraiu compradores. Na ocasião, foram arrematados os três carros blindados de Cabral: um Land Rover Discovery, por R$ 251 mil; um Land Rover Freelander, por R$ 156 mil; e um Hyundai Azera, por R$ 78 mil.

O comprador do Land Rover Discovery, um empresário do setor de saúde, que não quis se identificar, disse que o maior atrativo foi o carro ter blindagem nível 4, que suporta tiros de fuzil, e que raramente é permitida para o cidadão comum, mas que havia sido concedida a Cabral por ele ser chefe do Poder Executivo.

Eike segue em prisão domiciliar

Preso em janeiro de 2017 na "Operação Eficiência", um dos desdobramentos da Lava Jato no Rio, Eike é acusado de pagar propina a Cabral em troca de vantagens em investimentos no estado.

O processo resultou na condenação de ambos em primeira instância, e o empresário recebeu do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, pena 30 anos de prisão.

A sentença ainda será avaliada pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região). Antes de obter decisão favorável do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, que concedeu ao réu prisão domiciliar em 2017.

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