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Nova edição do Projeto Comprova combate boatos sobre políticas públicas

Claire Wardle, diretora-executiva da ONG First Draft, idealizadora do Projeto Comprova - Heitor Feitosa/Veja
Claire Wardle, diretora-executiva da ONG First Draft, idealizadora do Projeto Comprova Imagem: Heitor Feitosa/Veja

Do UOL, em São Paulo

27/06/2019 00h10Atualizada em 27/06/2019 08h49

Depois de uma primeira fase voltada para desmentir boatos relacionados às eleições de 2018, o Projeto Comprova retorna neste ano com o foco no combate à desinformação sobre políticas públicas. A segunda edição da iniciativa, lançada hoje em São Paulo, conta com 24 veículos de comunicação, entre eles o UOL.

Os jornalistas dos veículos participantes receberam treinamento para checar a veracidade de informações que circulam na internet e nas redes sociais, seguindo a metodologia da organização não governamental First Draft, idealizadora do primeiro Comprova. A iniciativa também promoverá ações educativas, como a difusão de cursos online voltados para o combate à desinformação.

Pelo método do Comprova, a veracidade de um conteúdo deve ser checada por pelo menos três Redações diferentes antes da publicação. A inspiração do projeto foi o Crosscheck, realizado na França por 37 organizações durante a campanha eleitoral de 2017 naquele país.

Segundo a diretora-executiva da ONG First Draft, Claire Wardle, a principal novidade agora é a realização do projeto fora do período eleitoral, o que vai permitir o esclarecimento de outros tipos de assunto.

"Estaremos cobrindo boatos e conteúdo enganoso, o que vai ajudar os brasileiros em muita coisa. Pode ser saúde, ou uma política específica, ou mesmo um boato sobre um evento meteorológico, um grande incêndio", diz. "Sempre soubemos que a desinformação não acontece apenas durante uma eleição."

No ano passado, o Comprova contou com 59 jornalistas de 24 das maiores Redações do Brasil, entre elas o UOL, além de três membros da ONG First Draft. Foram 146 verificações publicadas entre agosto e outubro, e os veículos associados à iniciativa produziram 1.750 artigos originais com base em relatos obtidos pelo projeto.

Ao longo das 12 semanas do projeto, o público enviou pelo WhatsApp mais de 100 mil mensagens para o Comprova com afirmações suspeitas, imagens, vídeos ou mensagens de áudio para que fossem desmascarados pela equipe. Os dados são do próprio projeto.

Para Wardle, unir as Redações em projetos como o Comprova "torna o jornalismo melhor" e permite um melhor uso dos recursos disponíveis.

"Você tem diferentes veículos trazendo sua expertise e exigindo responsabilidade um do outro. Ninguém quer estar errado quando trabalha com seus concorrentes", diz Wardle. "Também evita a duplicação de esforços. As Redações têm muitas notícias para acompanhar todos os dias. Você não precisa de 24 Redações cobrindo o mesmo boato que circula no WhatsApp. Faz mais sentido colaborar."

Além do UOL, participam do Comprova em 2019 os seguintes veículos: AFP (Agência France Presse), Band, Band.com.br, BandNews FM, BandNews TV, Canal Futura, Correio do Povo, Estadão, Exame, Folha de S.Paulo, Gaúcha ZH, Gazeta Online, Jornal Correio, Jornal do Commercio, Metro Jornal, Nexo, Nova Escola, NSC Comunicação, O Povo, Poder360, Rádio Bandeirantes, revista piauí e SBT.

A iniciativa tem patrocínio do Google News Initiative, do Facebook Journalism Project e do WhatsApp e é coordenada pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

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