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Bebianno: 'Nem filhos de Lula e de Dilma atrapalharam tanto um governo'

Walterson Rosa/Folhapress
Imagem: Walterson Rosa/Folhapress

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

28/06/2019 19h58

O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, criticou a influência dos filhos de Jair Bolsonaro (PSL) no governo, em entrevista à revista IstoÉ publicada hoje. "Nem os filhos do Lula e da Dilma atrapalharam tanto", comparou o primeiro dos ministros demitidos.

Exonerado em fevereiro após uma crise envolvendo suspeita de candidaturas laranjas no PSL, partido que chegou a presidir e do qual agora pretende sair, Bebianno foi publicamente exposto pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o segundo filho do presidente.

À Istoé, Bebianno afirmou que Carlos, o senador Flávio (PSL-RJ), o deputado federal Eduardo (PSL-SP) e o escritor Olavo de Carvalho, epicentro de diversas crises políticas, são "a mesma coisa. Eles ali se misturam".

Ele também afirmou que o presidente está cercado de "bajuladores, que não têm coragem de avisar o rei que ele está quase nu".

'Deslealdade'

Tido como braço direito de Bolsonaro, Bebiianno também acusou o presidente de tentar jogar o laranjal nas suas costas, "de forma desleal".

Sobre as denúncias envolvendo candidaturas laranjas no partido, ele afirma não ter "nenhum conhecimento do que foi feito em nenhum estado, porque não era da minha alçada". "Aqui no Rio o presidente do PSL é o Flávio, filho dele", completou.

Para Bebianno, se Bolsonaro "continuar neste ritmo" em relação à desarticulação com o Congresso, o presidente não se reelege. "Eu só vejo uma possibilidade de ruptura se o próprio governo criar esse clima. Se partirem do governo propostas de rupturas institucionais. Aí o governo se coloca na linha de tiro", diz.

Ele afirma ainda que as constantes demissões de militares --o seu sucessor na Secretaria de Governo, general Floriano Peixoto, também foi demitido da pasta-- já afastaram Bolsonaro da ala militar.

"Já gerou uma fissura, porque o que o militar mais preza é a lealdade. O espírito de corpo é o que faz um Exército forte. À medida que o presidente rifa seus próprios aliados, com um tiro na nuca, execução sumária, o sinal que ele está dando para esse núcleo militar é péssimo".

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