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Bolsonaro demite em média um ministro a cada dois meses

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

13/06/2019 19h55

Com a demissão do general Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo hoje, a gestão Jair Bolsonaro (PSL) acumula três dispensas de ministros em seis meses. O militar se junta a Ricardo Vélez (Educação) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), demitidos em abril e fevereiro, respectivamente.

Santos Cruz se desgastou após rusgas com Carlos Bolsonaro, filho do presidente, e outros integrantes da ala do governo que segue o escritos de Olavo de Carvalho. Nem o ex-ministro nem o presidente explicaram o motivo da demissão.

Veja abaixo quem são os ministros demitidos do governo Bolsonaro:

Gustavo Bebianno - saiu em 18 de fevereiro

O ex-secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno - Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O ex-secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno
Imagem: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Bebianno foi o coordenador-geral da campanha e, logo no início da gestão à frente da pasta, se viu envolto em uma série de denúncias de envolvimento com candidaturas laranjas.

Presidente interino do PSL durante a eleição de 2018, ele foi acusado de criar uma candidata laranja em Pernambuco, Maria de Loudes Paixãom que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público a quatro dias da eleição de 2018. Bebianno negou.

Outra denúncia apontou que Bebianno liberou R$ 250 mil para a candidatura de uma ex-assessora, que por sua vez repassou parte da verba para a mesma gráfica de fachada utilizada por Maria de Loudes.

O episódio derradeiro para a demissão de Bebianno teve a participação de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que desmentiu o então ministro de ter conversado com Jair Bolsonaro no dia 13 de fevereiro, quando o presidente estava internado após se submeter a uma cirurgia.

O vereador ainda publicou um áudio em que o presidente diz a Bebianno que "está complicado conversar". "Não vou falar, não vou falar com ninguém, somente o essencial", disse Bolsonaro. A divulgação da conversa deflagrou o momento mais crítico da crise entre a família Bolsonaro e Bebianno. Cinco dias depois, o ministro seria demitido pelo presidente.

Ricardo Vélez Rodríguez - saiu em 8 de abril

O ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez - Reuters
O ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez
Imagem: Reuters
Desde que assumiu a pasta, o colombiano foi alvo de críticas por conta de uma série de decisões na Educação e declarações polêmicas. Entre suas frases célebres, disse certa vez que que o "brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisa de hotel".

Uma semana depois, o MEC enviou a escolas um pedido para que alunos fossem gravados cantando o hino nacional, e que os vídeos, enviados ao governo. O pedido também incluía a leitura de uma mensagem com o slogan eleitoral de Bolsonaro, "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". O ministro depois recuaria da medida.

No curto período em que Vélez esteve à frente da pasta, registrou-se ainda uma série de trocas em cargos da cúpula do MEC e uma pressão do escritor Olavo de Carvalho, responsável por sua indicação, por mudanças. Mais de dez servidores deixaram a cúpula do ministério.

Poucos dias antes de ser demitido, Vélez foi convocado para uma sabatina no Congresso. Na ocasião, vários parlamentares criticaram a atuação do ministro, em especial a deputada Tabata Amaral (PDT), que proferiu a frase que teria ampla repercussão: "Mude de atitude ou saia do cargo".

General Carlos Alberto dos Santos Cruz - saiu em 13 de junho

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido da Secretaria de Governo - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido da Secretaria de Governo
Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Até ser demitido, Santos Cruz era considerado um representante da "ala militar" do governo Bolsonaro, que contrapõe o grupo capitaneado por Olavo de Carvalho.

Em abril, o presidente vetou uma propaganda do Banco do Brasil que estimulava a abertura de cota corrente por meio do aplicativo da instituição. A peça contava com atores de etnias e orientações sexuais diversas, o que foi considerado por Bolsonaro um desrespeito "à família".

Santos Cruz, todavia, chegou a afirmar, um dia depois do veto de Bolsonaro, que a Secretaria de Comunicação (Secom) não poderia interferir "no conteúdo da publicidade estritamente mercadológica das empresas estatais".

Encabeçada pelo general, a Secretaria de Governo ainda desautorizou uma ordem da Secom para que todo o material de propaganda da administração pública, incluindo o das estatais, passasse por análise prévia da pasta. O caso revelou um confronto direto entre chefe da Secom, Fábio Wajngarten -- próximo de Carlos Bolsonaro e respaldado por Olavo de Carvalho -- e Santos Cruz.

À Folha, certa vez, Santos Cruz disse que "nunca se interessou" pelas ideias de Olavo e que seu "desequilíbrio" é evidente. Mas nos últimos, meses mantinha-se afastado de polêmicas.

Santos Cruz também protagonizou um embate interno na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) -- que acumula três presidentes em seis meses. O último deles, Sergio Segovia, um aliado do general, exonerou dois diretores da chamada ala "olavista": Letícia Catelani e Márcio Coimbra.

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