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Bolsonaro e Rui Costa trocam farpas sobre ausência da PM em inauguração

Stella Borges

Do UOL, em São Paulo

23/07/2019 09h59Atualizada em 23/07/2019 12h51

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), não autorizou que a Polícia Militar participe da segurança de evento de inauguração de um aeroporto em Vitória da Conquista, que terá a presença do presidente Jair Bolsonaro (PSL) nesta manhã.

Bolsonaro criticou a decisão no Twitter antes de embarcar para a Bahia. "Estou de partida para Vitória da Conquista para inauguração de aeroporto. Lamentável a decisão do governador da Bahia que não autorizou a presença da Polícia Militar para a nossa segurança. Pior ainda, passou a responsabilidade de tal negativa ao seu Comandante Geral", escreveu.

Em resposta ao presidente, Rui Costa disse que " quem é impopular e tem medo de ir às ruas, fica em seu gabinete".

"Se o evento é exclusivamente federal, as forças federais cuidem da segurança do presidente. Eu não posso colocar PM para entrar em conflito com as pessoas que querem ver o aeroporto [...] Quem é governante tem que enfrentar aplausos, beijos, selfies, mas também tem que ter o ônus de, às vezes, enfrentar protestos. Isso faz parte da democracia. Eu não posso ficar botando a polícia pra bater em quem quer protestar", declarou em entrevista à rádio Metrópole.

Bolsonaro vai ao Nordeste dias depois de ter sido gravado falando em "governadores de paraíba" em referência a políticos da região. Além da polêmica pelo termo empregado para se referir à região, a visita também é marcada pela disputa da "paternidade" da obra entre o Planalto e governo estadual.

Ontem, Costa disse que o estado convidou o governo federal para a inauguração, mas, por terem confundido "boa educação com covardia", e por causa da "agressões" ao Nordeste, não irá ao evento.

Governador da Bahia fala em covardia e cancela ida a evento com Bolsonaro

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Sem o governador

O novo Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista (BA) - Reprodução/ Secretaria de Comunicação da Bahia
O novo Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista (BA)
Imagem: Reprodução/ Secretaria de Comunicação da Bahia
Ausente do evento de hoje, o governador da Bahia visitou o aeroporto na quinta e afirmou que o aeroporto foi construído pelo governo estadual.

Ontem, nas redes sociais, Rui Costa disse que não iria ao evento por "excluir o povo da inauguração, fazer uma inauguração restrita a poucas pessoas, escolhidas a dedo como se fosse uma convenção político-partidária."

A cerimônia está prevista para começar às 10h e contará com 500 convidados. Desses, apenas 100 seriam do governo do estado --os demais são pessoas chamadas pela prefeitura e pelo governo federal. O risco de um ambiente político hostil também pesou para que Rui Costa abdicasse de sua participação.

Mérito de quem?

Com voos diários previstos para São Paulo e para Minas Gerais a partir desta quinta-feira (25), o novo aeroporto teve obra executada pelo governo da Bahia. Mas os recursos vieram em sua maior parte do governo federal - liberados durante as gestões de Dilma (PT) e Temer (MDB):

  • R$ 75 milhões federais
  • R$ 31 milhões estaduais
  • Total: R$ 106 milhões

Segundo o governo do Estado, o aeroporto Glauber Rocha vai atender a uma população estimada em 2 milhões de pessoas no sudoeste da Bahia e no norte de Minas Gerais.

"Parte do recurso é estadual, parte é federal, mas não interessa, o dinheiro é do povo. Não é dinheiro meu, nem do governador Rui Costa. O dinheiro é de você que paga imposto e ponto final", disse Bolsonaro semana passada ao se referir ao aeroporto.

Durante visita a Brasília em 10 de julho, o prefeito de Vitória da Conquista comemorou a visita de Bolsonaro e cutucou o governo do Estado. "É uma grande obra do governo Federal, e a presença do presidente da República é indispensável para a inauguração", disse para o site oficial da prefeitura.

O ex-governador e atual senador Jaques Wagner (PT) rebateu: "A primeira ordem de serviço do aeroporto foi assinada em 2009, quando eu estava no primeiro governo, e quando Lula era presidente. No meu segundo governo se concluiu a pista, e a presidente era a Dilma. Durante o primeiro governo do Rui houve um último desembolso, que foi no governo Michel Temer. Quando Bolsonaro chegou à presidência, o convênio estava todo executado", afirmou.

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