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Sem governo do PT, Bolsonaro abre aeroporto alvo de briga em 2ª ida ao NE

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

23/07/2019 04h01Atualizada em 23/07/2019 10h43

Dias depois de ter sido gravado falando em "governadores de paraíba" em referência a políticos nordestinos, Jair Bolsonaro (PSL) prevê hoje a segunda ida ao Nordeste desde que tomou posse - em maio, foi a Pernambuco. Pela manhã, ele deve inaugurar o Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista (BA).

Antes mesmo da inauguração, Bolsonaro e o governador da Bahia, Rui Costa (PT), trocaram críticas na manhã de hoje por conta da ausência da Polícia Militar no evento. Em seu Twitter, o presidente afirmou ser "lamentável a decisão". Ao saber do post, Costa respondeu na rádio Metrópole, onde concedia entrevista que a segurança cabe à Polícia Federal por ser um evento federal, explicou que Bolsonaro deve estar preparado para receber vaias e aplausos, e que "quem é impopular e tem medo de ir às ruas, fica em seu gabinete".

Além da polêmica pelo termo empregado para se referir à região, a visita também é marcada pela disputa da "paternidade" da obra entre o Planalto e governo estadual - gerido pelo PT.

Bolsonaro: Dos governadores de 'paraíba', pior é o do MA

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Ontem, o governador Rui Costa (PT) disse que o estado convidou o governo federal para a inauguração, mas, por terem confundido "boa educação com covardia", e por causa da "agressões" ao Nordeste, não irá ao evento.

Nas redes sociais, o deputado federal Waldenor Pereira (PT-BA) acusou a prefeitura de arrancar um grande outdoor com os dizeres: "Obra tamanho G, de governo do estado - novo aeroporto Glauber Rocha." Um vídeo com um guindaste retirando a placa foi postado pelo parlamentar.

Em resposta ao UOL, a Prefeitura de Vitória da Conquista, chefiada por Herzem Gusmão (MDB), afirmou que 17 placas de outdoors "instaladas de forma irregular em áreas próximas ao acesso do Aeroporto Glauber Rocha, foram interditadas na noite deste domingo (21)".

Sem o governador

O novo Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista (BA) - Reprodução/ Secretaria de Comunicação da Bahia
O novo Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista (BA)
Imagem: Reprodução/ Secretaria de Comunicação da Bahia
Ausente do evento de hoje, o governador da Bahia visitou o aeroporto na quinta e afirmou que o aeroporto foi construído pelo governo estadual.

Ontem, nas redes sociais, Rui Costa disse que não iria ao evento por "excluir o povo da inauguração, fazer uma inauguração restrita a poucas pessoas, escolhidas a dedo como se fosse uma convenção político-partidária."

A cerimônia está prevista para começar às 10h e contará com 500 convidados. Desses, apenas 100 seriam do governo do estado --os demais são pessoas chamadas pela prefeitura e pelo governo federal. O risco de um ambiente político hostil também pesou para que Rui Costa abdicasse de sua participação.

Mérito de quem?

Com voos diários previstos para São Paulo e para Minas Gerais a partir desta quinta-feira (25), o novo aeroporto teve obra executada pelo governo da Bahia. Mas os recursos vieram em sua maior parte do governo federal - liberados durante as gestões de Dilma (PT) e Temer (MDB):

  • R$ 75 milhões federais
  • R$ 31 milhões estaduais
  • Total: R$ 106 milhões

Segundo o governo do Estado, o aeroporto Glauber Rocha vai atender a uma população estimada em 2 milhões de pessoas no sudoeste da Bahia e no norte de Minas Gerais.

"Parte do recurso é estadual, parte é federal, mas não interessa, o dinheiro é do povo. Não é dinheiro meu, nem do governador Rui Costa. O dinheiro é de você que paga imposto e ponto final", disse Bolsonaro semana passada ao se referir ao aeroporto.

Durante visita a Brasília em 10 de julho, o prefeito de Vitória da Conquista comemorou a visita de Bolsonaro e cutucou o governo do Estado. "É uma grande obra do governo Federal, e a presença do presidente da República é indispensável para a inauguração", disse para o site oficial da prefeitura.

O ex-governador e atual senador Jaques Wagner (PT) rebateu: "A primeira ordem de serviço do aeroporto foi assinada em 2009, quando eu estava no primeiro governo, e quando Lula era presidente. No meu segundo governo se concluiu a pista, e a presidente era a Dilma. Durante o primeiro governo do Rui houve um último desembolso, que foi no governo Michel Temer. Quando Bolsonaro chegou à presidência, o convênio estava todo executado", afirmou.

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