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Porta-voz: Bolsonaro soube por "algumas pessoas" sobre morto na ditadura

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

29/07/2019 20h00Atualizada em 29/07/2019 22h01

O porta-voz da Presidência, Otávio Rego Barros, afirmou na noite de hoje que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez considerações sobre o desaparecimento de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, com base em informações que obteve com pessoas à época, durante a ditadura militar.

Pela manhã, o presidente declarou que poderia contar a Felipe como o pai dele morreu se o advogado quisesse. Mais tarde, em uma live na internet, declarou que Fernando foi morto por miltantes da esquerda, e não por militares da ditadura. A informação contraria os arquivos da Comissão da Verdade, segundo os quais o pai do presidente da OAB foi assassinado pelo Estado brasileiro.

Quando Fernando desapareceu, em 1974, Bolsonaro tinha 20 anos. Ele entrou na Escola Preparatória de Cadetes, do Exército, em 1973.

"Como ele disse na live, ele fez contato com algumas pessoas na ocasião. Conheceu o tema na ocasião e foi a partir desse contato que ele expressou sua opinião", disse o porta-voz sem esclarecer que pessoas eram essas e o que exatamente elas teriam falado a Bolsonaro na época.

Questionado diversas vezes sobre o tema durante entrevista coletiva à imprensa nesta noite, Rego Barros declarou que Bolsonaro já havia explicado durante o dia. O porta-voz, quando perguntado, não respondeu por que Bolsonaro não havia falado à família os motivos do desaparecimento de Fernando Santa Cruz, já que saberia do paradeiro dele.

"[Bolsobaro] já se expressou na saída do Palácio do Alvorada e posteriormente a complementou em uma live em rede social hoje à tarde", disse Rego Barros.

"Não foram os militares que mataram ele, não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo que acontece. Isso mudou", dissera Bolsonaro durante transmissão ao vivo pelo Facebook, à tarde.

Bolsonaro: militares não mataram pai de presidente da OAB

UOL Notícias

Hipóteses para o desaparecimento de Santa Cruz

Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira desapareceu em fevereiro de 1974, depois de ter sido preso com um amigo por agentes do DOI-Codi, departamento de repressão do Estado, no Rio de Janeiro.

"Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro", declarou Bolsonaro de manhã.

Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade identificou 434 pessoas mortas ou desaparecidas durante a ditadura no Brasil. O período militar durou entre 1964 e 1985.

A Comissão levantou duas hipóteses para o caso de Santa Cruz de Oliveira. A primeira é de que após a prisão foi levado ao DOI-Codi, em São Paulo, onde desapareceu. Não há registros na Comissão da Verdade de que o pai de Felipe tenha participado da luta armada.

Outra possibilidade é de que ele e os amigos foram para Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), e seus corpos foram incinerados em uma usina de cana-de-açúcar.

À época do desaparecimento, o Exército negou à família que ele estivesse preso nas dependências militares. O pai de Felipe desapareceu quando ele tinha 2 anos de idade.

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