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Espero que militares contenham Bolsonaro, diz ex-ministro da Justiça de FHC

18.dez.2014 - O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias foi integrante da Comissão da Verdade - José Cruz/Agência Brasil
18.dez.2014 - O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias foi integrante da Comissão da Verdade Imagem: José Cruz/Agência Brasil

Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

14/08/2019 16h45

Para o ex-ministro da Justiça e novo presidente da Comissão Arns, José Carlos Dias, o comportamento do presidente Jair Bolsonaro (PSL) faz um alarme soar. Em sua opinião, o pesselista "orquestra o ódio", provoca o risco de aumento da violência e até de implantação de um regime autoritário no país.

"Ele está estimulando o ódio entre pessoas, entre grupos, entre entidades. Isso é perigoso. Temos o risco de ter uma ditadura incentivada por um homem que não vê quão importante é a manutenção da democracia", afirma o jurista.

Ele se refere a declarações do presidente e ações do governo contra vítimas da ditadura militar, a defesa dos direitos humanos, a proteção ao meio ambiente, os territórios indígenas, produtos culturais e a imprensa. "Na campanha ele já deu demonstração do que era, mas não imaginava que chegasse a tanto", comenta Dias, que foi ministro da Justiça entre 1999 e 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A preocupação fez a Comissão Arns articular com outras entidades da sociedade civil a realização de um encontro chamado de "Mesa Nacional de Diálogo Contra a Violência", marcado para amanhã, na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Brasília.

Além da comissão e da própria Ordem, o encontro terá a participação de representantes de entidades como a SBPC (Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência), a Academia Brasileira de Ciências, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o Conic (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs), o Conselho Federal de Psicologia, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

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Segundo José Carlos Dias, o encontro pode ser um ponto de partida para uma campanha mais ampla. "Precisamos lutar pela paz, pela tranquilidade e contra o medo porque, na verdade, ele [Bolsonaro] está nos assustando a todos. É importante que todas as entidades e as pessoas físicas estejam conscientes de que não podem abaixar a cabeça. Temos que lutar para garantir a aplicação dos direitos humanos".

"Elogio de Bolsonaro seria um insulto"

Ele assumiu recentemente a presidência da Comissão Arns, sucedendo Paulo Sérgio Pinheiro, que preside a comissão internacional de investigação sobre a Síria, vinculada à ONU (Organização das Nações Unidas).

Dias integrou a Comissão da Verdade, que investigou crimes cometidos por agentes públicos durante a ditadura. Na semana passada, Bolsonaro publicou no Twitter um vídeo de 2014 em que comparava esta comissão a uma cafetina e seus integrantes a prostitutas. "Fui um dos insultados pelo presidente. Em rigor, poderia até processá-lo. Mas me sentiria insultado se ele me elogiasse", declara o ex-ministro.

Para ele, os militares que atuam no governo e as Forças Armadas "estão mais serenos" do que Bolsonaro. "A minha esperança é que eles contenham o presidente", afirma.

Apesar das críticas e troca de farpas, o jurista se diz disposto a dialogar com o governo federal. "Estamos prontos a um debate, ao diálogo. Se for necessário, faremos esse diálogo com o governo também".

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