Topo

Com tuíte polêmico, Carluxo inaugura novo capítulo das tretas da direita

O presidente Jair Bolsonaro participa do desfile de 7 de Setembro com o filho Carlos e o menino Ivo Cesar - Pedro Ladeira/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro participa do desfile de 7 de Setembro com o filho Carlos e o menino Ivo Cesar Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Ana Carla Bermúdez e Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

15/09/2019 04h00

Eduardo brigou com Kim que brigou com Joice
que brigou com Carla que brigou com Frota que brigou com Carlos
que brigou com todo mundo.
Eduardo vai para os EUA, Kim se afastou do bolsonarismo
Frota foi expulso do PSL, Joice vai ser candidata a prefeita
Carlos segue brigando sozinho e Carla bajula o Moro,
que não tinha entrado nesta história.

A versão adaptada do poema "Quadrilha", escrito por Carlos Drummond de Andrade em 1930, conta um pouco da forma como a direita governista tem entrado em choque nas redes sociais. As brigas internas não atingem somente o PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro, mas também a base de apoio no Congresso.

O conflito entre a rede bolsonarista e políticos de direita nas redes sociais (e fora dela) é muito maior do que a adaptação do poema permite associar. Inclui ainda todo o primeiro escalão, como os ministros, os filhos do presidente e políticos do chamado centrão. A briga de maior impacto dentro da base do governo afetou a maioria do PSL na Câmara --com a expulsão do deputado federal Alexandre Frota, o PT passou a ser o partido com maior número de representantes na Casa.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) foi o protagonista da crise mais recente. Investigado por irregularidades em seu gabinete por uso de funcionários fantasmas e pela "rachadinha", quando o servidor repassa parte do salário para o parlamentar que o contrata, ele diz que está afastado do cargo para cuidar do pai, internado em São Paulo. Carlos tem dormido lá todas as noites. Nesse período, fez um tuíte defendendo a ditadura --o que ele nega.

Carlos foi defendido pelo irmão mais novo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que aguarda há meses a indicação do pai para assumir o cargo de embaixador nos EUA. Para Eduardo, a frase "não tem nada demais".

Mas Carlos é, de longe, um dos que mais usam as redes sociais para passar recados aos integrantes do governo e colegas de partido do pai e dos irmãos —vale lembrar que Carlos não é filiado ao PSL. Ninguém escapa: sejam os militares ou até mesmo o Instagram por ter ocultado as curtidas das fotos.

Nem o irmão mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), escapou dos tuítes, ao publicar uma lista de transações suspeitas que incluía o nome dele.

Já Eduardo recentemente se envolveu em uma discussão com o também deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), que apresentou um destaque para derrubar o veto do Bolsonaro pai a trechos da lei que puniria fake news.

Este foi o começo de uma longa discussão pública entre Eduardo e o líder do MBL (Movimento Brasil Livre).

Tanto Eduardo quanto Kim também protagonizaram discussões públicas com a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP). O filho do presidente e a deputada se desentenderam no fim do ano passado. As pazes da dupla tiveram direito a foto com coração.

Já a briga de Joice com Kim é de março, em meio aos choques do PSL com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Entre acusações de oportunismo e molecagem, salvaram-se todos.

As discussões entre as colegas de partido Joice e Carla Zambelli são as mais recentes e mais duradouras. O fogo amigo, ou lavagem de roupa suja virtual, já dura meses. Na briga, há acusações de falta de inteligência, de aliança com outros partidos e até mesmo de inveja.

Na briga, sobra até para o ministro da Justiça, Sergio Moro, e para o presidente Bolsonaro. O bate-cabeça mostra a falha na articulação política dentro do próprio partido das duas, o PSL.

Na alfinetada mais recente, Joice diz ter vergonha pelo filho de Carla ter conseguido vaga em um colégio militar sem passar por concurso, como qualquer outro aluno.

Frota expulso após pedido de Carla

Carla foi quem afirmou que "seria hipocrisia [Alexandre] Frota continuar no PSL". A deputada protocolou o pedido de expulsão do colega. O ator foi para o PSDB após convite do governador de SP, João Doria, mas não perde a oportunidade de cutucar a ex-colega de partido.

Mas as indiretas de Frota seguem para os ex-colegas de partido e nem Bolsonaro pai escapa:

Mais Política