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Bolsonaro diz que reafirmará soberania em discurso "conciliatório" na ONU

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Planalto - Adriano Machado/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Planalto Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

16/09/2019 22h21

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que já está trabalhando no rascunho do discurso que fará na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos. De acordo com o presidente, o discurso será conciliatório, mas reafirmará a soberania brasileira.

"Preciso estar preparado para sustentar o discurso de 20 minutos na ONU. Falei que iria nem que fosse de cadeira de rodas, com todo respeito aos cadeirantes. Comecei a rascunhar o discurso, um discurso diferente dos que me antecederam. É conciliatório, sim, mas reafirmar a questão da nossa soberania, o potencial que o Brasil tem e o que o Brasil representa para o mundo. Quase nenhum presidente teve essa postura na ONU", disse Bolsonaro à "Record". Ele deve embarcar para os EUA no dia 23 de setembro, na véspera da data de seu discurso.

O presidente também saiu em defesa do vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ). Na semana passada, o filho de Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter que o Brasil não terá transformação rápida por "vias democráticas".

"É uma opinião dele, e ele tem razão. Se fosse em Cuba ou na Coreia do Norte, já não teriam aprovado tudo quanto é reforma sem Parlamento? Demora, porque tem a discussão. Isso é natural, porque tem muita gente que nos pressiona como se tivesse poder de influenciar o Parlamento. Não tenho esse poder e nem quero ter esse poder em nome da democracia. Ele até falou o óbvio. Eu, se estivesse estudando português no meu tempo de garoto, ia falar que essa é uma figura de linguagem conhecida como pleonasmo abusivo, como o leite é branco, o café é preto, e o gelo é gelado. Não devia ter essa repercussão toda. Teve porque é meu filho. Se fosse qualquer outra pessoa, não teria problema nenhum", declarou.

"Pelo amor de Deus. Alguma manifestação minha, o presidente sou eu, dizendo que a democracia não pode ser feita diferente? Não tem nada disso. Logicamente tenho minhas críticas ao Parlamento, gostaria que fosse mais rápido até por questões óbvias, que o Brasil não pode continuar marcando passo em alguma coisa. A reforma da Previdência está demorando um pouquinho, mas esse mês, se Deus quiser, será tudo resolvido. Entra a reforma tributária depois, e o Brasil está caminhando... Há quantos anos tentaram fazer a reforma previdenciária próxima da nossa e não conseguiram? O Carlos se equivocou. Está sendo rápido demais no Governo Bolsonaro", acrescentou.

Veja outros trechos da entrevista de Jair Bolsonaro:

Preço do combustível vai mudar?

"A tendência natural é seguir o preço internacional, viria para a refinaria e para a bomba no final das contas. O Governo Federal já zerou o imposto federal, não podemos exigir nada dos governadores no tocante do ICMS. Conversei com o presidente da Petrobras. Ele me disse que, como é algo atípico e a princípio tem um fim para acabar, ele não deve mexer no preço do combustível. Agora, um grande recado aos caminhoneiros. Foi lançado há poucos dias o cartão caminhoneiro. O caminhoneiro pode ir agora no posto e comprar X litros de diesel e por 30 dias esse preço estará garantido para ele."

Exoneração de Marcos Cintra, ex-secretário especial da Receita Federal

"O Marcos Cintra foi meu colega de Parlamento por dois ou três mandatos. Era o chefe da Receita, um bom relacionamento com ele, foi indicação do Paulo Guedes, e o que havíamos combinado: é que não entraríamos em detalhes da reforma tributária até a apresentação final do projeto para mim. Por duas oportunidades, isso foi antecipado pela equipe dele. E, na última antecipação, falou-se da volta da CPMF, que é uma questão que eu decidi que não se toca mais, até porque é um imposto 'contaminado'. Depois dessa nova situação, dessa defesa da CPMF, ficou insustentável e quem o exonerou foi o ministro Paulo Guedes. A única interferência minha agora na Receita é que eu quero alguém da Receita para estar à frente dela."

CPMF de jeito nenhum?

"Você pode até falar em CPMF, deixar povo e o Parlamento discutir, mas não pode ser uma proposta de governo, porque para você desfazer tudo que aconteceu no tocante da CPMF é quase impossível. Foi criado um bom propósito lá atrás no imposto para a saúde e o que vinha para a saúde de outras fontes foi usado para desviar para outras finalidades. A CPMF passou a ser um imposto marcado, não caiu bem, sociedade não topou e não vamos insistir nesse imposto agora."

Visita do ministro Sergio Moro no hospital

"Sergio Moro não esteve aqui (no hospital) sozinho. Esteve aqui com a esposa dele, juntamente com a minha esposa. Não vou te visitar se não tiver um clima amistoso entre nós. Era para ser cinco minutos por recomendação médica, eu desobedeci e fiquei quase uma hora conversando com ele. E muita coisa aconteceu. A apreensão de cocaína no Brasil e número de mortes violentas têm batido recorde, diminuindo assustadoramente. É, em grande parte, trabalho dele. É o desmantelamento de alguns grupos de criminosos organizados no Brasil. Eles não se organizam mais dentro das delegacias. Foi um trabalho do Governo Federal e, ao dispersar pelo Brasil líderes de facções criminosas, eles perderam a capacidade de se organizarem. Então, o crime não está tão organizado como estava no passado. Em função disso, só tenho a agradecer ao Sergio Moro, ao trabalho que ele tem prestado. Não é para mim, não, é para o Brasil."

Impacto na economia após os saques do FGTS

"Muito rápido por toda certeza, porque é um dinheiro que está ali. Muita gente criticou o valor, muito baixo, de R$ 500. Eu já fui militar, vivi exclusivamente do salário de militar. R$ 500 a mais por mês em um salário de militar é muito bem-vindo. Esse dinheiro entra de imediato na economia, é uma injeção na veia e ajuda a movimentá-la, porque ela (a economia) não está ainda naquele nível que a gente esperava que estivesse."

Indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos EUA

"Não posso falar em data. Sabia que o nome dele daria muita polêmica. Muita gente entrou pelo lado pessoal. Agora, ele está vencendo resistência. Lógico que eu pretendo que ele seja aprovado. O mais importante: ele tem liberdade com a família do presidente Donald Trump. O embaixador é um cartão de visita. Tanto é que, há uma semana, ele foi aos Estados Unidos e foi recebido pelo Trump. Ninguém nunca conseguiu isso. O Donald Trump, por ocasião da reunião do G7, foi a pessoa decisiva para conter o senhor Macron (presidente da França), que está fazendo uma campanha enorme contra o Brasil em cima de um Fake News. Aquelas queimadas (na Amazônia), infelizmente, acontecem, mas não a proporção divulgada pela imprensa europeia."

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