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Maia revela que ficou "sem dormir" por ataques de filhos de Bolsonaro

19.set.2019 - O presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) no Conversa com Bial - Reprodução/TV Globo
19.set.2019 - O presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) no Conversa com Bial Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

20/09/2019 09h03Atualizada em 20/09/2019 20h03

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), revelou que chegou a perder o sono por causa dos ataques feitos contra ele pelos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na internet.

No Conversa Com Bial, ele disse que tem relação apenas com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e que ambos são respeitosos e educados.

"Na internet é o que o negócio fica um pouco mais agressivo. No início eu sofria, ficava sem dormir, (pensava) 'como posso estar apanhando desse jeito, eu estou ajudando o governo nas reformas e não paro de apanhar", desabafou.

No entanto, com o tempo ele disse que entendeu que se tratava de um "método". "Com o tempo a gente vai vendo que tem o mundo deles: quanto mais radical, vai ficando cada vez menor. Com o tempo você compreende que aquilo é um método. O método de um ambiente radical que você precisa dar carne aos leões todos os dias".

Eduardo na embaixada

O presidente da Câmara também falou sobre a indicação de Eduardo para a embaixada brasileira em Washington, classificando a decisão como "muito difícil" para Bolsonaro.

"É uma avaliação que ele precisa fazer junto com o filho, se tem as condições e quais são os reflexos políticos para o governo dele de uma indicação de um parente, mas uma decisão dessa, no Brasil de 2019, onde a sociedade cobra mais, critica mais a política, é radicalmente contra parente tendo algum tipo de nomeação, é uma decisão política que tem que tomar que vai gerar reflexos para o governo dele", argumentou.

Denúncias contra Temer

Durante a entrevista, Maia também falou sobre a época em que surgiram as denúncias contra o então presidente Michel Temer no caso da JBS. Ele explicou que rejeitou pedidos de impeachment contra Temer para não gerar instabilidade no país.

"No momento em que o Brasil vivia, saindo de um impeachment, recessão profunda, pobreza aumentando, desemprego, vazamento de denúncia. Aí era uma decisão de se manter as instituições funcionando ou correr o risco de desorganizar tudo", disse.

"Claro que muita gente (dizia) 'vai ser presidente', mas não é questão de eu ser presidente. Eu quero ser presidente um dia pelo voto", falou ele, ressaltando que só concorrerá a cargos do Executivo "se entender que terei as condições de ajudar a mudar minha cidade, meu estado, meu país".

Governo Bolsonaro

Ao avaliar o governo Bolsonaro, ele disse que o que há de melhor é a narrativa da agenda de reformas do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas fez algumas ressalvas.

"Acho que o que tem ainda de negativo é que essa narrativa precisa estar transformada em fatos reais. A Previdência já era uma agenda anterior, mas a gente precisa receber a reforma administrativa logo, precisa receber o tal do pacto federativo", disse.

Sobre a CPI da Vaza Jato, para apurar os fatos que vêm sendo revelados pelo site The Intercept Brasil, Maia disse que vai analisar o pedido, mas recomendou cautela.

"Há fato determinado? Não sei. Vou estudar com calma o pedido, mas quero dizer o seguinte: um fato determinado para um poder investigar o outro é muito grave. Como acho que o Senado deferir uma CPI contra o Supremo também é muito grave você investigar um outro poder sem um fato determinado de desvio administrativo. Não posso investigar um juiz ou um procurador pelo julgamento que faz porque isso é colocar em xeque a independência de um outro poder. Se há algum fato de desvio administrativo é outra coisa", falou.

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