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Ministro do Turismo denunciado nega laranjas e se diz injustiçado

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

22/10/2019 09h52Atualizada em 22/10/2019 13h43

Denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais por acusação de envolvimento em candidaturas-laranja do PSL no estado, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), negou ter havido a corrupção no partido em 2018 e se disse "injustiçado".

"O PSL de Minas Gerais, no âmbito de 2018, não teve candidaturas-laranja. Todos os candidatos, isso eu posso afirmar categoricamente, foram verdadeiramente...fizeram campanhas políticas, inclusive as denunciadas", afirmou.

"Fui indiciado pela teoria do domínio do fato. Acredito que de forma errônea. Ela se aplica quando há comprovação de que a pessoa teve ciência dos fatos ocorridos. Não há comprovação de que tivesse envolvimento ou ciência do que estava ocorrendo no partido, onde segundo a autoridade policial há certas irregularidades. [...] Me sinto injustiçado", completou.

Em fala inicial, o ministro ressaltou ter sido alvo de inquérito "longo de nove meses" e, por um momento, comparou a própria investigação com o da menina Ágatha Félix, de 8 anos, morta por bala perdida de fuzil no Complexo do Alemão. Ele disse que mais de 80 pessoas foram ouvidas em relação às candidaturas-laranja do PSL em Minas Gerais enquanto 11 teriam sido ouvidas quanto à morte da criança.

O ministro ainda disse não reconhecer "erros evidentes" sob sua responsabilidade que incorram na legislação eleitoral.

Marcelo Álvaro argumentou que as acusações partem de grupos de dentro do PSL de Minas Gerais insatisfeitos com decisões dele - hoje presidente estadual licenciado da sigla - e foram organizadas por meio do WhatsApp.

"Foram algumas pessoas que ficaram insatisfeitas com alguns fatos em Minas Gerais. Por exemplo, como o não lançamento de candidatos a governador e ao Senado, e que se organizaram para promover alguns ataques", disse.

As declarações foram dadas na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado, para a qual foi convocado. O pedido da ida do ministro foi feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Quando uma pessoa é convocada, e não convidada, o comparecimento é obrigatório.

Em outras duas ocasiões, quando convidado, o ministro confirmou presença, mas acabou não indo ao Senado. Hoje ele justificou as faltas pela agenda cheia. Marcada para as 9h, Marcelo Álvaro chegou na comissão às 9h19. A audiência terminou por volta das 12h.

Ao longo das falas, o ministro fez críticas reiteradas ao jornal Folha de S. Paulo, que revelou o esquema investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Sabatina da oposição

Os senadores da Rede, Randolfe Rodrigues (AP) e Fabiano Contarato (ES), foram os que mais questionaram o ministro. Eles fizeram perguntas sobre as acusações feitas por mulheres tidas como candidatas-laranja do PSL - quando as candidaturas são de fachada apenas para atender às exigências da Justiça Eleitoral com possibilidade de desvio de dinheiro -, uma empresa agora fechada que pertencia a um assessor especial do ministro hoje preso e supostas ameaças do ministro.

O ministro disse ser uma pessoa pacífica e que jamais faria uma ameaça a alguém. Em relação às acusações das mulheres também denunciadas como candidatas-laranja, além de outra que acabou não sendo denunciado por supostamente não ter aceitado o acordo ilegal, ele as chamou de confusas, falsas e levianas.

Sobre a empresa do assessor especial, afirmou que somente prestou serviços a candidatos na campanha, não só do PSL, e os contratos contaram com "toda transparência".

O senador Reguffe (Podemos-DF) disse que Marcelo Álvaro não deveria ser ministro, pois acredita que parlamentares não deveriam aceitar cargos no Executivo. Ele perguntou a Marcelo Álvaro se não sente que deveria se afastar por ter sido denunciado e retornar ao posto se comprovada a inocência.

Em resposta, o ministro disse ter a consciência tranquila e as tarefas bem divididas, com seus advogados cuidando do processo jurídico. Portanto, não sente necessidade de se afastar.

O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou as possíveis candidaturas-laranja como mais graves do que caixa 2 por "usurpar legislação para garantir questão importante de cidadania". No caso, cota para mulheres.

O ministro ainda foi indagado sobre fala da deputada federal Soraya Manato (PSL-ES) no plenário da Câmara na semana passada em que afirmou ter havido candidaturas-laranja no PSL e em outros partidos ao criticar adversários.

Segundo Marcelo Álvaro Antônio, Soraya "pode estar falando de qualquer estado da federação". "Em Minas Gerais não houve [candidatura-laranja]", disse o ministro.

"Cristo do PSL": defesa de senadores

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA) defendeu o ministro e disse que Marcelo Álvaro estava sendo "sacrificado" e as acusações contra ele são uma "sacanagem de pessoas que não se sentiram satisfeitas" com o resultado das eleições do ano passado.

Para o senador, Marcelo Álvaro foi escolhido como o "Cristo do PSL", no sentido de supostamente ter de sofrer e ser condenado sem provas, por ter perfil "franzino e caricatura mais fraca". A fala arrancou risos de parte dos presentes, enquanto o ministro sorriu surpreso.

Weverton Rocha (PDT-MA) afirmou ser "solidário a todo o massacre" ao ministro por acreditar que não houve dolo em suas ações. Porém, deu uma cutucada no PSL ao dizer que ninguém no Congresso Nacional precisa ser de oposição, porque o partido já está "implodindo" o governo federal.

O novo líder do governo no Congresso Nacional, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), defendeu o ministro e falou que a ida à comissão era oportuna para que os fatos pudessem ser esclarecidos. Ele não permaneceu no local todo o tempo e se pronunciou pela única vez cerca de uma hora e meia após o início da audiência.

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) também usou espaço na comissão para minimizar a denúncia realizada pelo Ministério Público.

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