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Dilma fala com Lula ao telefone: ele está disposto a rodar o Brasil

Dilma fala com imprensa argentina em Buenos Aires - Luciana Taddeo / Colaboração para o UOL
Dilma fala com imprensa argentina em Buenos Aires Imagem: Luciana Taddeo / Colaboração para o UOL

Luciana Taddeo

Colaboração para o UOL, em Buenos Aires

08/11/2019 20h26Atualizada em 08/11/2019 22h07

Em Buenos Aires para o encontro do Grupo de Puebla, que reúne líderes da esquerda latino-americana, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi uma das pessoas que falaram com Lula (PT) nesta noite, agora que ele está fora da prisão.

A conversa se deu por telefone: Lula estava em Curitiba, e Dilma no saguão de um hotel na capital argentina. Depois da ligação, a ex-presidente relata que Lula comentou disposição de "ir a todos os lugares do Brasil" com uma posição de "resistência"

Cercada por jornalistas, grande parte deles de canais de TV argentina, que deram destaque para a saída de Lula da prisão, Dilma disse, misturando português e espanhol, que "Lula pediu para agradecer toda a solidariedade que o povo argentino lhe prestou, e disse que foi uma grande solidariedade".

Ontem, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, foi um dos primeiros a se manifestar nas redes sociais celebrando a possibilidade de saída do Lula.

"Ele me pediu para manifestar seu grande contentamento com a vitória de Alberto e Cristina, desejando a eles os melhores resultados possíveis diante de uma situação tão catastrófica como essa que [o atual presidente Mauricio] Macri deixou aqui", afirmou.

Citando também o Equador, o Chile e o Haiti, ela considerou que a saída de Lula da prisão "combina com uma série de movimentos" na América Latina, após anos de "perda de direitos" de governos neoliberais".

Lula preocupado com a Petrobras

Dilma também disse que Lula demonstrou preocupação com "o que querem fazer com a Petrobras", já que, segundo ela, houve uma imposição do neoliberalismo no país.

Citando empresas públicas como a Eletrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES, ela afirmou que o país sofreu uma "grave de deterioração, de perda de vários valores", que antes as empresas públicas "estavam incólumes", mas que agora avançaram privatizações.

Para ela, o ex-presidente vê adiante um "caminho para brasileiros e povos do mundo que lutam contra as perdas de direitos e desnacionalização de empresas".

Liberdade e felicidade

A ex-presidente também comentou os sentimentos de Lula ao ser solto.

"Lula está ao mesmo tempo muito, muito feliz, claro, porque conquista sua liberdade, sem nenhuma negociação como queriam eles, colocando-lhe controles e ao mesmo tempo muito consciente de sua importância, de seu desafio, de sua carga como o grande representante da esperança no Brasil", afirmou.

Lula foi condenado em duas instâncias no caso do tríplex do Guarujá (SP), um dos processos da Operação Lava Jato, o petista esteve detido na superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, desde 7 de abril de 2018.

A decisão foi tomada depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) barrou a permanência na prisão de condenados em segunda instância.

Resposta a Eduardo Bolsonaro

Dilma também respondeu ao vídeo em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro afirma que o hoje é um dia "triste" para quem "é honesto no Brasil".

"Ele acredita que se pode fechar o Supremo Tribunal Federal com um cabo e dois soldados", disse, também mencionando "a defesa que ele fez do AI-5".

"Quando ele faz esse tipo de declarações, apenas mostra que ele desrespeita mais uma vez a justiça", alegou.

Para Dilma, o deputado "não tem visão de justiça". "Eles têm que se preocupar muito com a questão da apuração da morte de Marielle e de seu motorista Anderson", concluiu.

'Lula será determinante em 2022', diz Mercadante

Também em Buenos Aires para o encontro, o ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante, do PT (Partido dos Trabalhadores), afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será "determinante" nas eleições de 2022.

A declaração foi dada a jornalistas brasileiros após a confirmação de que o petista sairá da prisão. Depois de falar com jornalistas, Mercadante também foi visto falando com Lula ao telefone no saguão do Hotel Emperador, no Centro de Buenos Aires.

"O Lula é uma figura central na história do Brasil. Eu andei com ele naquela campanha de 1989, e desde aquela campanha ele nunca mais saiu do centro da disputa, ele sempre foi a figura determinante em qualquer eleição e será em 2022. Sendo ou não candidato, ele terá um papel decisivo", afirmou.

Ele disse ainda, que o "o povo, a militância e o PT" lutarão pelo "pleno direito" de o ex-presidente ser candidato. "Acreditamos na inocência dele", diz, afirmando que será defendida a anulação do processo.

"É um dia histórico", disse Mercadante, afirmando que "uma parte da história do Brasil está sendo contada". Ele disse achar que agora o "Lula livre" virará "Volta, Lula", e mostrou aos jornalistas o gesto de "L" com uma mão e "V" com a outra.

O ex-ministro ressaltou visitas de lideranças latino-americanas e internacionais a Lula na prisão:

"Lula recebeu mais lideranças, personalidades intelectuais, lideranças políticas, parlamentares, chefes de Estado na prisão em Curitiba do que [o presidente Jair] Bolsonaro no Palácio do Planalto. Ninguém chega perto do Bolsonaro e todos queriam estar com Lula."

Segundo ele, no entanto, o "gesto" do presidente eleito da Argentina a Lula, Alberto Fernández, "foi muito diferenciado". Ele citou a visita do peronista à prisão, durante a campanha, e o pedido pela liberdade do petista no dia da eleição argentina, no dia 27 de outubro, aniversário do brasileiro, e a invocação ao "Lula Livre" mesmo após a vitória.

Com isso, Mercadante disse que ele, a liderança e parlamentares do PT assumiram "um compromisso muito profundo" com o futuro presidente argentino "de solidariedade, de apoio, do que for preciso". "Os verdadeiros amigos você descobre nas horas difíceis, e ele esteve com a gente nas horas mais difíceis, o que mostra que é um homem de princípio, de coragem, e que espero possa contribuir para a Argentina superar essa etapa tão difícil em que se encontra", afirmou.

Sobre uma presença de Lula na posse disse que não tem informações sobre um convite. "Uma coisa eu tenho absoluta convicção: os dois vão se encontrar e vão dar um abraço muito forte", garantiu.

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