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Doleiro preso pela Lava Jato está presente em escândalos desde a era Collor

O doleiro Najun Turner durante depoimento à CPMI dos Correios, em 2005 - Wilson Dias / Agência Brasil
O doleiro Najun Turner durante depoimento à CPMI dos Correios, em 2005 Imagem: Wilson Dias / Agência Brasil

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

21/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Najun Turner já teve seu nome citado em escândalos nos anos 90 e 2000
  • Doleiro foi citado no Collorgate, no escândalo dos precatórios e na Operação Anaconda
  • Entre 2005 e 2008 ele esteve preso e era procurado desde 2018, condenado por sonegação
  • Ligação de Turner com Dario Messer começou a ser investigada ano passado

O doleiro uruguaio Najun Azario Flato Turner, 70 anos, preso nesta terça-feira (19) na Operação Patrón, da Lava Jato do Rio, a mesma na qual foi emitida ordem de prisão contra o ex-presidente e senador vitalício paraguaio Horácio Cartes, é conhecido pelo envolvimento em grandes escândalos brasileiros desde o início dos anos 90.

Turner nasceu em Montevidéu e, aos 18 anos, o doleiro prestou serviço militar em Israel, onde foi paraquedista e integrou o Mossad. Nos anos 70, mudou para o Brasil, construindo sua carreira na Bolsa de Valores.

O nome de Turner foi citado em 1992 na Operação Uruguai e também no escândalo dos precatórios, no fim dos anos 90, e na Operação Anaconda e no Mensalão, nos anos 2000.

Condenado por sonegação em 2010, ele era procurado desde 2018, mesmo ano em que seu nome apareceu na Lava Jato.

Operação Uruguai

O caso conhecido como Operação Uruguai aconteceu em junho de 1992, durante a CPI que culminou no impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Foi uma tentativa fracassada do secretário particular do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Claudio Vieira, de providenciar um álibi para os gastos do ex-presidente.

Segundo a versão de Vieira, o dinheiro de Collor não vinha de seu ex-tesoureiro, Paulo César Farias, o PC, mas de um empréstimo, convertido em ouro comprado de Turner no Uruguai.

Precatórios

Turner usava em seus negócios a corretora Split, por meio da qual aplicava recursos que terceiros pretendiam lavar dinheiro em operações com dólares, bolsa e ouro.

A Split foi uma das corretoras do escândalo dos precatórios, que durou entre 1994 e 1997 e envolvia fraudes na compra de títulos públicos de três estados (Pernambuco, Alagoas e Santa Catarina) e das cidades de São Paulo, Osasco e Guarulhos.

Anaconda

Em 2005, Turner foi preso pois seu nome apareceu na Operação Anaconda, de 2003, que investigou venda de sentenças na Justiça Federal de São Paulo. O doleiro havia sido absolvido no caso dos precatórios pelo juiz João Carlos da Rocha Mattos e isso chamou a atenção do MPF.

Em 2004, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região reformou a sentença de Matos e condenou Turner a 10 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro. Contudo, ele ficou mais de um ano foragido e só foi preso em 31 de março de 2005. Cumpriu pena até julho de 2008.

Mensalão

Em 2005 seu nome foi ligado ao Mensalão e ele foi levado, preso, para prestar depoimento à CPMI dos Correios em outubro daquele ano.

Sonegação

Turner foi novamente condenado em maio de 2010 (e era considerado foragido até terça-feira) a 5 anos e 3 meses de prisão por sonegar R$ 82 milhões (o valor atualizado supera R$ 300 milhões) no Imposto de Renda pessoa física.

Desde 2017, sua defesa tentava adiar um pedido do MPF de execução provisória da sentença (que havia sido reduzida para 4 anos e meio e deveria ser cumprida em regime semiaberto), mas seus recursos foram negados pelo STJ e pelo STF, em 2018.

Lava Jato

Em maio de 2018, o nome de Turner voltou a aparecer em uma grande investigação, a Câmbio Desligo, da Lava Jato do Rio, na qual apareceu citado como ex-sócio do doleiro Dario Messer no Uruguai, entre 2008 e 2010.

Seu nome não foi incluso nos pedidos de prisões e nem na denúncia, mas entrou no radar da Lava Jato, que se aprofundou e demonstrou que Turner integrava o núcleo financeiro do esquema de Messer e do ex-presidente paraguaio desvendado agora na Operação Patrón, na qual ele foi preso preventivamente.

Livro

Em 2011, Turner lançou o livro "Bolsa, Sem Stress", no qual compartilhava dicas para quem quisesse se aventurar na Bolsa de Valores, entre as quais: "Bolsa não é igreja, sinagoga, mesquita; não tem arrependimento, perdão, o erro é o prejuízo".

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