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Lançamento de partido de Bolsonaro tem parte da imprensa barrada

Fotógrafos e cinegrafistas tiveram de fazer imagens do telão - Luciana Amaral/UOL
Fotógrafos e cinegrafistas tiveram de fazer imagens do telão Imagem: Luciana Amaral/UOL

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

21/11/2019 11h10Atualizada em 21/11/2019 16h33

Resumo da notícia

  • Maior parte da imprensa foi barrada pelo partido e não pôde entrar no evento
  • Somente 17 jornalistas convidados puderam entrar
  • Bolsonaro entrou pela garagem e não passou para cumprimentar apoiadores

O lançamento hoje do que virá a ser o novo partido do presidente Jair Bolsonaro, Aliança pelo Brasil, foi marcado por desorganização do evento e parte da imprensa nacional e internacional barrada.

A primeira reunião foi promovida pela manhã em um hotel de luxo em Brasília, ao lado do Palácio da Alvorada. Para chegar foi preciso enfrentar um engarrafamento de pelo menos 30 minutos na única avenida de acesso disponível ao local. Saindo do carro, outra fila para entrar no complexo do hotel.

Dentro do complexo, o que se via era falta de placas de sinalização e agentes de segurança do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) que não sabiam direcionar direito os visitantes.

A maior parte da imprensa que cobre o Palácio do Planalto diariamente foi barrada pelo partido e não pôde entrar no hotel, muito menos dentro do auditório onde se realizou o evento. A credencial anual expedida pela Presidência da República, que serve para permitir a entrada em eventos dos quais o presidente participa ao longo do ano, não foi considerada válida. Somente um grupo de menos de 20 jornalistas convidados pôde entrar.

O restante da imprensa, entre eles os maiores veículos de comunicação do país, teve de ficar em um gramado sem infraestrutura, como cadeiras, mesas, tomadas e toldo. A grama ainda estava úmida da chuva matinal. Fotógrafos e cinegrafistas tiveram de registrar imagens de um telão.

A Presidência da República afirmou que a situação era de responsabilidade do Aliança e que os jornalistas deveriam procurar um representante do grupo. No entanto, nenhum representante foi indicado nem apareceu. A futura sigla não conta ainda com assessoria de imprensa.

Quando o evento começou e a imprensa teve de ir ao gramado, parte dos apoiadores do novo partido gritou palavras de ordem contra a imprensa. Um homem chegou a querer discutir com um cinegrafista. Não havia agentes de segurança suficientes para apartar uma briga física, caso ocorresse.

Bolsonaro entrou pela garagem do hotel para a decepção dos apoiadores que o aguardavam desde cedo. Para compensar a ausência da estrela, estes tiraram selfies com o empresário Luciano Hang e o deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ).

Após o evento principal no auditório, Bolsonaro foi a um palanque montado na área externa. Ele falou apenas que o futuro do Brasil está "em nossas mãos" e repetiu o lema da campanha: Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.

Depois voltou ao microfone quando questionado sobre o lema do futuro partido. Começou então a gritar "irrúúúú" como um boiadeiro. Ele já havia usado a expressão em uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

Apesar do início da coleta de assinaturas para criar o Aliança, muitas pessoas reclamavam que não conseguiam entrar no auditório para assinar a ficha de apoio por não terem a autorização adequada.

O artesão Rodrigo Camacho presenteou a futura legenda com um painel formado por cerca de 4 mil cartuchos de balas descartados e doados pelo Exército.

Viabilidade do Aliança para eleições de 2020 não é garantida

A reunião de Bolsonaro para oficializar a decisão de sair do PSL aos aliados e discutir os meios da criação da nova sigla foi em 12 de novembro no Planalto. Após a desfiliação ser concretizada, o presidente fica sem partido até a criação do Aliança pelo Brasil.

A vontade do grupo pró-Bolsonaro dentro do PSL é que o Aliança pelo Brasil seja lançado até o março do ano que vem para que possam lançar candidatos próprios nas eleições municipais do ano que vem. Estarão em disputa os cargos de prefeitos e vereadores. Caso contrário, só poderão participar das eleições de 2022.

Segundo a Justiça Eleitoral, o grupo bolsonarista agora precisa colher 500 mil assinaturas em ao menos nove estados e entregá-las ao TSE até março de 2020.

A vontade dos pesselistas dissidentes é que a coleta de assinaturas seja feita por meio de aplicativo com certificação digital a fim de acelerar o processo. No entanto, a Justiça Eleitoral já indicou que pode se opor à iniciativa.

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