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Witzel tenta tirar escolta de bolsonaristas do PSL, mas Justiça proíbe

O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do governador do RJ Wilson Witzel - Pedro Ladeira/	Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do governador do RJ Wilson Witzel Imagem: Pedro Ladeira/ Folhapress

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

25/11/2019 16h12

Resumo da notícia

  • Em represália a deputados Bolsonaristas, Witzel retira a escolta feita por PMs
  • Na Justiça, os parlamentares conseguiram liminar que suspendia a decisão
  • Episódio é o mais recente episódio da crise entre o governador do Rio e o presidente

Apesar de Jair Bolsonaro (sem partido) ter pedido a Wilson Witzel (PSC) humildade e diálogo, o o governador do Rio não dá sinais de arrefecimento. Ele tentou, no último sábado (23), retirar a escolta feita pela Polícia Militar para parte da bancada do PSL, mas os deputados leais ao presidente da República conseguiram reverter a decisão.

Hoje, a Justiça deu uma liminar que mantém em seus gabinetes na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) 15 policiais militares que deixariam de escoltar os desafetos do governador.

Entre os deputados do PSL que teriam a escolta retirada estão Alana Passos, Anderson Moraes, Dr. Serginho, Márcio Gualberto e Filippe Poubel. Todos fazem parte do grupo que esteve na última quinta-feira (21) em Brasília, no lançamento do Aliança pelo Brasil, e verbalizaram vontade de trocar de partido assim que a legislação eleitoral permitir.

Em paralelo, Witzel negocia uma transferência para o PSL e pretende contar com aqueles que resistirem no partido, alinhados ao presidente nacional da legenda, Luciano Bivar. Em suas redes sociais, os deputados manifestaram repúdio àquilo que consideraram uma "retaliação".

"O que me causa tamanha indignação é o fato de ato afetar somente os agentes lotados nos gabinetes dos deputados do PSL que, no dia anterior, declararam apoio ao Presidente Jair Messias Bolsonaro. Manifesto minha indignação quanto a postura do governador que, contrariando o relatório de inteligência da Polícia Civil, expõe a risco a segurança pessoal dos Deputados - o que é garantido por Lei da Casa", disse a deputada Alana Passos na sua página em uma rede social.

Procurado, Witzel não se manifestou.

"A instituição não pode ser usada em benefício próprio e tão pouco para perseguir opositores", disse o deputado Filippe Poubel, que também conseguiu manter a escolta.

Em entrevista ao UOL no último sábado (22), o deputado federal Sargento Gurgel (PSL) — indicado por Bivar para ocupar a presidência do diretório fluminense do partido, no lugar do senador Flávio Bolsonaro (atualmente sem partido)— afirmou que os parlamentares não encontrariam resistências: "O PSL segue sendo Bolsonaro", disse. Gurgel também admitiu que se encontraria nesta semana com Witzel para tratar da sua transferência partidária e consolidar a base do governo na Alerj.

Entenda a crise entre Witzel e Bolsonaro

  • O governador Witzel (PSC) se elegeu e iniciou o governo apoiando Bolsonaro
  • A bancada estadual do PSL no Rio apoiava o governo Witzel
  • Mas parte do bolsonarismo começou a ver em Witzel anseios de competir com Bolsonaro
  • Flávio Bolsonaro, presidente do PSL no Rio, determinou que o partido deixasse a base de apoio a Witzel -- o que nunca aconteceu integralmente
  • A situação se agravou com reportagem na Globo associando Bolsonaro ao caso Marielle. O presidente da República diz que Witzel vazou o depoimento do porteiro do condomínio que fazia essa ligação
  • Com a saída de Bolsonaro do PSL, Witzel vê espaço no partido
  • Parte do PSL deve migrar para o partido de Bolsonaro
  • E quem fica deverá escolher lealdade entre Bolsonaro e Bivar

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