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Witzel diz que processará Bolsonaro por acusação de manipular Caso Marielle

O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do governador do RJ Wilson Witzel - Pedro Ladeira/	Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do governador do RJ Wilson Witzel Imagem: Pedro Ladeira/ Folhapress

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

21/11/2019 17h22

Resumo da notícia

  • Governador do Rio, Wilson Witzel, processará o presidente Jair Bolsonaro pelas acusações de manipular o Caso Marielle Franco
  • Bolsonaro disse que Witzel utiliza as investigações para fins políticos, e que pretende concorrer à presidência em 2022
  • Witzel disse que, desta vez, o presidente "passou dos limites" e reforçou a independência da Polícia Civil do Rio

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou hoje que pretende processar o presidente da República, Jair Bolsonaro, pelas recentes acusações de manipulação no caso Marielle Franco. Bolsonaro afirmou que Witzel utiliza as investigações para fins políticos, já que manifestou vontade de concorrer à presidência em 2022. Nas palavras dele, a sua vida "virou um inferno" desde a eleição do ex-aliado.

Ao chegar em Lima, no Peru, onde vai acompanhar a final da Copa Conmebol Libertadores entre Flamengo e River Plate, no próximo sábado (23), Witzel disse que, desta vez, o presidente "passou dos limites" e reforçou a independência da Polícia Civil do Rio.

"As acusações do presidente, aliás, do Jair Bolsonaro... As declarações não são de um presidente, são do sujeito Jair Bolsonaro. São acusações levianas. Ele está acusando um governador de estado de manipulação. A polícia do Rio de Janeiro é independente. O senhor Bolsonaro passou dos limites. Vou tomar providências legais contra ele e iniciar uma ação penal para que ele pare de me acusar de fatos que não pratiquei. Da minha parte, eu tenho a consciência tranquila", disse o governador.

Pela manhã, Bolsonaro havia falado sobre a vontade de Witzel em concorrer à presidência. "Acabaram as eleições e ele botou na cabeça que quer ser presidente. Direito dele e de qualquer um de vocês. Mas ele botou na cabeça destruir a reputação da família Bolsonaro. A minha vida virou um inferno depois da eleição do senhor Wilson Witzel, lamentavelmente", declarou.

Bolsonaro foi citado na apuração do caso por um porteiro do condomínio onde mantém casa no Rio de Janeiro. Num depoimento à Polícia Civil, o funcionário atribuiu a Bolsonaro a autorização para entrada no condomínio Vivendas da Barra de um dos acusados do crime. Em nova oitiva, desta vez à Polícia Federal, o porteiro recuou e disse que errou ao citar o presidente.

Witzel foi eleito na esteira do bolsonarismo

Witzel foi eleito governador do Rio depois de se aliar a Flávio Bolsonaro e se declarar alinhado aos ideais do então candidato à Presidência da República. Em pouco mais de duas semanas, o ex-juiz federal saltou nas pesquisas de intenção de votos e foi eleito governador depois de participar de caminhadas com o senador.

No entanto, as seguidas manifestações de vontade de Witzel em assumir o Palácio do Planalto fizeram com que os dois se afastassem. O embate político fez com que o Flávio Bolsonaro (à época presidente do diretório fluminense do PSL) impedisse os deputados estaduais do partido de votar de acordo com os interesses do governador. A decisão, porém, foi revista alguns dias depois.

A saída de Jair e Flávio Bolsonaro do PSL, depois de brigas com o presidente da legenda, Luciano Bivar, reaproximou o partido do governador do Rio. Witzel receberá a cúpula da legenda nos próximos dias, a convite de Bivar. As partes dialogam pela formação de uma chapa para disputar as eleições municipais do próximo ano e até mesmo uma transferência do governador para o antigo partido de Bolsonaro.

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