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Após polícia vasculhar empresa do filho, Bolsonaro evita imprensa

Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto -
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

18/12/2019 18h41

No dia em que policiais vasculharam a empresa do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), chefe do Executivo deixou de discursar no único evento público do qual participou hoje. Ao sair de cerimônia no Palácio, o presidente usou saída por trás da rampa do Salão Nobre e dirigiu-se aos elevadores, evitando a imprensa que o aguardava passar pelo lado oposto.

Mais cedo, a assessoria de comunicação da Presidência reforçou aos repórteres que era fechado um evento evangélico no qual Bolsonaro participaria no Setor de Clubes, ao lado da Ponte JK, em Brasília. Ainda assim, o presidente entrou e saiu pela garagem do Unique Palace, bem longe dos jornalistas que tentavam falar com ele do lado de fora.

No final da tarde de hoje, no Palácio do Planalto, Bolsonaro não tomou a palavra. Em seu lugar discursou o secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten. Ele lançou uma campanha publicitária regional sobre as medidas tomadas pelo governo nos últimos meses.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, e o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, também estavam no evento. Mas eles também não falaram com a imprensa.

Policiais fizeram 24 buscas no Rio

No Rio de Janeiro, policiais cumpriram 24 ordens de buscas e apreensões em operação do Ministério Público Estadual. Eles apreenderam documentos e mídias na loja de chocolates do primogênito do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), e endereços vinculados ao ex-assessor dele Fabrício Queiroz.

Parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente da República também foram alvo das buscas, ordenadas pela Justiça do Rio.

A suspeita é que Flávio Bolsonaro e Queiroz comandem um esquema de desvio de dinheiro a partir da "rachadinha" de salários de funcionários do gabinete do ex-deputado estadual pela Alerj.

Queiroz chegou a depositar um cheque de R$ 24 mil, que foi parar na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. O presidente da República justificou dizendo que seria a quitação de um antigo empréstimo, mas disse não ter nenhum documento para comprovar a operação.

Verba de R$ 40 milhões será distribuída para mídia regional

A campanha "Aqui é Brasil" vai divulgar 45 filmes publicitários regionais e quatro nacionais. De acordo com Wajngarten, 64% da verba vai para mídia regional.

"Estamos acabando com o império de um só grupo", disse o secretário. "Isso é democratizar o acesso à informação. E isso é dar voz a todos. Temos que oxigenar a comunicação do Brasil."

As peças serão divulgadas entre 18 e 30 de dezembro e entre 6 e 19 de janeiro na TV, rádio, jornal, internet e cinema.

Wajngarten assegurou que os critérios de distribuição da publicidade serão técnicos, e não políticos, como o direcionamento para pequenos sites que apoiam o governo.

Mas o cumprimento de critério está sendo verificado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar de terem menos audiência, SBT e Record hoje recebem mais verba que a TV Globo, sempre criticada pelo governo, segundo relatório de auditores da corte.

Wajngarten criticou a imprensa. Segundo ele, há uma "guerra de versões" contra o presidente da República, seu governo e sua família. "A mídia não o perdoa por ter vencido a eleição", reclamou o assessor do presidente.

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