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Pezão se diz vítima de perseguição política e relata violência policial

29.nov.2018 - Governador Luiz Fernando Pezão (MDB) deixa sede da Policia Federal no centro do Rio de Janeiro - Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo
29.nov.2018 - Governador Luiz Fernando Pezão (MDB) deixa sede da Policia Federal no centro do Rio de Janeiro Imagem: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo

Gabriel Saboia 

Do UOL, no Rio

03/02/2020 17h17

Resumo da notícia

  • Luiz Fernando Pezão disse ter sido vítima de "violência policial" no dia da sua prisão, em novembro de 2018
  • Ele também negou ter ajudado Sérgio Cabral a estruturar o esquema de propinas na Secretaria de Obras
  • O depoimento foi dado no âmbito da Operação Boca de Lobo --um desdobramento fluminense da Lava Jato

O ex-governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão (MDB) relatou ter sido vítima daquilo que considera uma "violência policial" na ocasião da sua prisão, em novembro de 2018.

Em depoimento concedido na tarde de hoje ao juiz federal Marcelo Bretas —responsável pelas ações em primeira instância da Lava Jato no Rio— ele negou ter ajudado o também ex-governador Sérgio Cabral (MDB) a estruturar o esquema de recebimento de propinas na Secretaria de Obras fluminense e detalhou ter tido fuzis apontados em direção a sua cabeça e à da ex-primeira dama Maria Lucia Horta no dia da sua detenção.

"Fui julgado, condenado e preso sem ter tido o direito de falar. Eu fui tirado do Palácio Laranjeiras de maneira violenta pela Polícia Federal. Faltavam 33 dias para o término do meu governo, depois de ter vivido a maior crise do estado e ter conseguido articular o único acordo de recuperação fiscal do país. De repente, acordo com seis fuzis e quatro pistolas apontados para a minha cabeça e da minha mulher", afirmou.

Representantes do Ministério Público presentes no depoimento interromperam o relato do ex-governador e pediram o detalhamento daquilo que ele considerava uma "violação", já que a operação que o prendeu contava com a presença de dois procuradores da República. Pezão afirmou que estava dormindo no momento da abordagem e acordou com armamentos apontados para a sua cama.

"Eram seis fuzis apontados para a cama na qual eu e a minha esposa estávamos dormindo. Eles abriram os armários, jogaram ternos e vestidos no chão, perguntavam onde estavam a joias e cofres", contou. O ex-governador também negou ter integrado o esquema de recebimento de propina através da Secretaria Estadual de Obras.

"Fui investigado na primeira fase da Lava Jato por três anos. Tive a minha vida vasculhada de todas as formas, mas a Polícia Federal solicitou o arquivamento. Mesmo assim, prenderam um governador eleito com 4,5 milhões de votos por 14 meses. Eu nunca mexi com dinheiro público de forma ilícita. O [Sérgio] Cabral já falou que a minha campanha custou R$ 400, 330, 260 milhões. A cada depoimento ele diz um valor diferente, mas foi ele quem cuidou da campanha inteira. Eu nunca recebi propina ou dinheiro de maneira irregular", afirmou.

O depoimento de Pezão foi dado no âmbito da Operação Boca de Lobo —um desdobramento fluminense da Lava Jato. Pezão foi preso por este desmembramento da Lava Jato em novembro de 2018, apontado como líder de um esquema de recebimento de propina herdado de Cabral.

A Sexta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou a revogação da prisão preventiva de Pezão em 10 de dezembro. Ele responde em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica, a processo por corrupção, lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa e fraudes em licitações.

Operação Boca de Lobo

Deflagrada em 29 de novembro de 2018, a Operação Boca de Lobo teve como principal alvo o ex-governador Pezão. De acordo com as investigações, ele teria herdado do seu antecessor, Sérgio Cabral, o controle de uma rede de recebimento de propina a partir de fraudes em obras públicas.

No total, Pezão teria embolsado mais de R$ 30 milhões no esquema. Após ser solto no mês passado, o ex-governador está morando na cidade de Piraí, no sul fluminense, onde começou a sua trajetória política.

Pezão nega envolvimento em esquema de fraudes em obras públicas e diz não ter recebido propina.

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