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Bolsonaro faz live com Trump na TV e se irrita ao ser chamado de bajulador

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

06/02/2020 16h04

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma live (transmissão ao vivo) hoje em sua página no Facebook para comemorar a absolvição de Donad Trump em processo de impeachment nos Estados Unidos. De frente para a TV e com o auxílio de um tradutor, o mandatário acompanhou o discurso do norte-americano, com pausas para comentários e críticas aos adversários.

Durante a exibição em sua rede social, o mandatário brasileiro se irritou com postagens de seguidores que o chamavam de "bajulador".

"Ninguém fique pensando que eu estou aqui bajulando o Donald Trump", retrucou. "Indo bem os Estados Unidos, quanto menos problemas tivermos no mundo, mais fácil para nós tratarmos das nossas relações bilaterais."

Bolsonaro também se justificou: "Tenho realmente que acompanhar o que está acontecendo". Segundo ele, alguns apoiadores pedem que "ele governe o Brasil e esqueça o mundo", mas isso não seria correto. "Nenhum país do mundo pode viver de forma isolada".

Irritado, Bolsonaro pediu que o público que o acompanha nas redes faça apenas "críticas construtivas". Em dado momento, ele se referiu a seguidores como "idiota" e disse que, à época do PT no poder, o chefe do Executivo federal "bajulava Maduro e Chávez".

Crítica a aumento do preço do combustível

Ao fim do discurso de Trump, Bolsonaro chamou o ministro Paulo Guedes (Economia) para participar da live e voltou a reclamar do preço do combustível. Assim como havia feito hoje cedo, o presidente declarou que, apesar de a Petrobras ter reduzido o valor nas refinarias, isso não tem diminuído o que é cobrado do consumidor na hora do abastecimento.

Bolsonaro tem sustentado que, para melhorar o preço praticado nos postos pelo país, parte da responsabilidade deveria ser dos governadores. Ele propõe que os estados reduzam o ICMS, imposto fundamental para o orçamento dos entes federados. Em troca, promete zerar os tributos federais. A medida é considerdada inviável devido ao impacto econômico.

Rancor com o PSL

Durante a live para festejar a absolvição de Trump, Bolsonaro expôs mais uma vez o rancor com o seu ex-partido, o PSL, de onde ele saiu depois de um racha interno envolvendo o fundo eleitoral para a eleição do ano que vem —aprovado em R$ 2 bilhões pelo Congresso. O presidente está tentando fundar um partido para chamar de seu, o Aliança pelo Brasil, atualmente em fase de coleta de assinaturas.

Bolsonaro chamou de "traíra" o senador americano Mitt Romney, de Utah, republicano que votou em favor da cassação de Trump. "Também teve um traíra lá. Não é privilégio nosso ter traíra aqui na política. Vocês bem sabem o que eu estou falando. Pintou um traíra republicano. Nunca mais será esquecido. Eu tenho certeza disso."

Ao citar Romney, o brasileiro comparou o cenário de "traição" com o racha no PSL. "Assim como os traíras aqui que se elegeram [depois] deram as costas para mim, bandearam para o outro lado. Vocês bem sabem o que aconteceu. Se tivesse um processo de impeachment aqui, esses traíras votariam contra [mim]. Mesmo eles tendo sido eleitos graças a minha popularidade, o apoio e a confiança que eu tive de você, eleitor brasileiro."

"O interesse de uma parte do PSL falou mais alto, ñao da cabeça para cima, ma na região da cintura deles falou mais alto para poder ficar com o partido, com o fundão bilionário, e esquecer de você que votou nele por causa das bandeiras que eu tinha, e houve aquele sucesso para eleger 50 e poucos deputados e quatro senadores."

Família

Bolsonaro disse se enxergar em uma situação muito semelhante a de Trump nos Estados, sobretudo em relação aos familiares. O mandatário afirmou que "todos os filhos estão sendo investigados" —na verdade, o único que está efetivamente na mira da Polícia Federal é o mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ).

"Ele fala dos problemas da família, não é diferente do que eu sofro aqui", declarou o presidente, citando ainda a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, cuja avó foi objeto de uma reportagem no ano passado. "É isso que infelizmente acontece na política do mundo todo. Não é só no Brasil."

Bolsonaro fez várias reclamações direcionadas à imprensa e afirmou que o jornalismo "não pode fazer parte como se fosse um Poder Judiciário".

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