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Não se resolve a criminalidade abrindo as portas das cadeias, diz Moro

Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

15/02/2020 13h26Atualizada em 17/02/2020 12h05

Resumo da notícia

  • Brasil possui mais de 773 mil presos, segundo dados divulgados pelo Depen ontem
  • Moro disse que número não é dos maiores do mundo na comparação com a população

O ministro da Justiça, Sergio Moro, disse hoje nas redes sociais que "não se resolve a criminalidade abrindo as portas das cadeias".

O comentário do ex-juiz federal é a respeito dos dados divulgados pelo Depen (Departamento Penitenciário Nacional). O Brasil possui mais de 773 mil presos em unidades prisionais e nas carceragens das delegacias, uma alta de quase 4% em relação a 2018.

Segundo Moro, "do atual Ministério da Justiça, você não vai ouvir o surrado discurso de que se prende demais no Brasil". "Precisamos, sim, melhorar as prisões e a reabilitação dos presos. Mas não se resolve a criminalidade abrindo as portas das cadeias."

De acordo com o ministro, o número absoluto -mais de 773 mil— é elevado, mas faz uma ponderação. "O número relativo, de 367,91 presos por 100 mil habitantes, não é dos maiores em comparação com o mundo", pontua

"De todo modo, o único meio de diminuir o número de presos é diminuindo o número de crimes, não há outra alternativa", completa.

"Temos poucas vagas"

Ontem, durante a apresentação dos dados, o diretor-geral do Depen, Fabiano Bordignon, disse que o governo está trabalhando para reduzir o déficit de vagas nos presídios. Segundo Bordignon, a estimativa é que sejam criadas 20 mil vagas este ano. A previsão é de um total de 100 mil até 2022.

"Não temos muitos presos no Brasil, na verdade temos poucas vagas. O problema não é quantos presos você tem, mas o que você faz com os presos que possui. Tem que ter trabalho", disse Bordigon.

De acordo com o diretor, além da criação de vagas, também é prioridade do governo investir em projetos voltados para a formação profissional dos presos e na atenção aos egressos.

"O trabalho é uma possibilidade, uma ferramenta de tomada de controle [dos presos]", disse Bordigon, para quem deve haver uma atenção especial aos egressos do sistema prisional. "Às vezes você investindo R$ 50 por preso egresso, ele não volta para uma unidade prisional e vamos ter mais uma vaga", acrescentou.

Bordingon disse ainda que o número de presos provisórios no país não é grande, se comparado ao total de população. De acordo com o diretor, em números relativos, o Brasil ocupa a 24ª posição entre os países com o maior número de presos provisórios.

"Quem está na frente da gente são Estados Unidos, Cuba, que chegam a 550 presos a cada 100 mil habitantes", disse.

(Com Agência Brasil)

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