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Política

Empresário cita disparos em massa para Haddad, Meirelles e Bolsonaro

Constança Rezende

Colaboração para o UOL, em Brasília

19/02/2020 16h15Atualizada em 19/02/2020 20h19

O empresário Lindolfo Antônio Alves, sócio da agência de marketing digital Yacows, confirmou em depoimento hoje à CPMI das Fake News que prestou serviços de disparos em massa para as campanhas de 2018 de Henrique Meirelles (MDB), Fernando Haddad (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em uma lista com 37 nomes que entregou à comissão (veja ao final deste texto), ele também citou a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP), o deputado Rui Falcão (PT-SP) e o senador Antonio Anastasia (PSD-MG).

O empresário confirmou que prestou serviços para a agência AM4, que trabalhou na campanha de Bolsonaro. Segundo ele, o serviço contratado foi para envios de 20 mil mensagens de whatsapp, mas que só 900 foram utilizadas. Alves disse desconhecer o conteúdo das mensagens disparadas para 900 números de telefone.

Já sobre Haddad, o empresário afirmou que foi contratado por uma outra empresa que trabalhava para a campanha do petista. Com Meirelles, a compra teria sido direta. Ele negou que tenha prestado serviço ao então candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT).

"Henrique Meirelles, sim. É importante salientar que nós temos diversas revendas a agências que vendem os nossos serviços. Ciro Gomes não me recordo de absolutamente nada. Não está na lista, logo não fizemos. Fernando Haddad foi um caso específico porque uma agência que acredito que faça campanha para ele já utilizava a plataforma e utilizou a nova ferramenta", disse.

Empresário diz que trabalhou para agência que atuou em campanha de Bolsonaro

A assessoria de Haddad informou que o candidato assumiu um contrato de plano de comunicação que incluía mensagem de whatsapp. "Até onde sabemos, custou RS 80 mil e a contratação foi feita por uma empresa terceirizada, que já usava a plataforma", disse.

O deputado Rui Falcão afirmou que se utilizou de serviços legais durante a campanha eleitoral.

A deputada Tabata Amaral afirmou, por meio de nota, que sua campanha não contratou a Yacows, e sim da empresa Maut — ambas pertencem ao mesmo grupo econômico. Os sócios da Maut são Flamarion Alves e Maria de Lourdes Alves, respectivamente mãe e irmão do dono da Yacows.

Segundo a assessoria da deputada, não houve a contratação irregular de "robôs" para disparo massivo de mensagens, mas sim de utilização de ferramenta para auxiliar no envio de mensagens da então candidata para contatos sua lista pessoal — ao custo de R$ 1.680, declarados em sua prestação de contas.

Em nota, a AM4 afirmou que já esclareceu, em outras ocasiões, que jamais usou (e não recomenda a seus clientes a utilização de) bancos de dados comprados para fazer disparos de WhatsApp, por considerar a tática invasiva e, por isso mesmo, ineficiente. "No caso de campanhas eleitorais, ainda pior, por se constituir uma ilegalidade", afirmou.

"Já foi esclarecido, também, que o serviço contratado pela AM4 foi para o envio de tão somente 8.000 mensagens para celulares de doadores de campanha, previamente cadastrados, para informar mudança no telefone de suporte. A cópia dessa mensagem e a nota fiscal do serviço, no valor de R$ 1.680 provam isso", disse a AM4.

O empresário também confirmou que o conteúdo das mensagens contratadas pela AM4 foi apagado. Porém, ao ser questionado pelo deputado Rui Falcão sobre os motivos, já que a AM4 alegou que não havia conteúdo ilegal, Alves respondeu: "Perfeito. Isso tenho que verificar, porque nós desconhecemos por que foi apagado ou quem apagou".

Alves também afirmou que, por este motivo, não teria como fazer análise destas mensagens. "Se o conteúdo não está mais na plataforma, nós não conseguimos. Eu acredito que cabe à AM4 apresentar o conteúdo que foi utilizado", disse.

Após o depoimento de Alves, a AM4 divulgou uma outra nota afirmando que "jamais apagou mensagens enviadas na plataforma e, inclusive, notificou extrajudicialmente a empresa responsa?vel pelo sistema da Yacows, solicitando esclarecimentos sobre o suposto apagamento de registros".

"A empresa reafirma que, em nenhum momento, foram utilizados bancos de dados comprados para disparos de WhatsApp em massa", diz a nota da AM4.

Confira a lista de candidatos em 2018 para quem o sócio da Yacows disse ter prestado serviços de disparos em massa. O documento foi entregue à CPMI das Fake News:

  1. Gilson Almeida Barreto Junior
  2. Giovani Cherini
  3. Jorge Gomes de Oliveira Brand
  4. Joana Darc dos Santos Cordeiro '
  5. Luiz Otavio Ferreira de Souza Nazar 1
  6. Manoel Barbosa do Nascimento
  7. Marcelo Cruz
  8. Paulo Abi Ackel
  9. Ramiro Zinder da Sílva
  10. Ricardo Izar Junior
  11. Rodrigo Bilard Figueira da Silva
  12. Romulo Victor Pinheiro Veneroso
  13. Rubens Pereira e Silva
  14. Rui Goethe da Costa Falcão
  15. Samuel Moreira da Silva Junior
  16. Silvana Maria Francisca no Covartí
  17. Tabata Claudia Amaral de Pontes
  18. Wanderson Cunha Nogueira
  19. Arnaldo Borgo Filho
  20. Bruno Messina Ramos
  21. Edilson Jose Gracioli
  22. Eliana Passareli
  23. Fabio Francisco da Silva
  24. Felipe Simões da Mota Oria
  25. Flavia Rita Coutinho Sarmento
  26. Francisco Danilo Bastos Forte
  27. Aparecido de Campos Filho
  28. Antonio Augusto Junho Anastasia
  29. Antonio Mentor de Mello
  30. Antonio da Rocha Marmo
  31. Vítor Pereira Valim
  32. João Leite da Silva Neto
  33. Rogério Nogueira Lopes
  34. Edmir José Abi Chedid
  35. Francisco Pereira de Souza Filho
  36. Maureen Maggi
  37. Henrique Meireles

Os candidatos Fernando Haddad e Jair Bolsonaro não constam na lista porque suas campanhas subcontrataram a empresa.

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