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Ceará tem uma morte violenta a cada 49 minutos durante motim de PMs 

Homens encapuzados que seriam PMs tomam viatura nas ruas do Ceará - Reprodução/Youtube
Homens encapuzados que seriam PMs tomam viatura nas ruas do Ceará Imagem: Reprodução/Youtube

Igor Mello

Do UOL, no Rio

22/02/2020 13h08

Dados da SSPDS (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social) do Ceará mostram que o número de mortes violentas no estado explodiu após o início do motim de policiais militares, na noite da última terça-feira. De acordo com o último balanço, foram 88 assassinatos entre quarta-feira (19) e sexta-feira (21), uma média de uma vítima a cada 49 minutos.

As estatísticas divulgadas pelas autoridades cearenses dizem respeito ao indicador CVLI (Crimes Violentos Letais Intensionais), que englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Até o início da greve —proibida pela Constituição Federal e considerada ilegal pela Justilça do Ceará— o estado tinha, em média, seis assassinatos por dia. Na segunda-feira, última dia antes do início do movimento grevista, houve apenas três mortes.

Esta sexta-feira foi o dia mais violento desde o início do motim: foram 37 mortes em todo o estado. Na quinta-feira, houve 22 assassinatos em cidades cearense, enquanto foram 27 casos na quarta-feira.

A greve dos PMs do Ceará ganhou repercussão nacional após o senador Cid Gomes (PDT-CE) ser baleado em frente ao quartel da PM na cidade de Sobral, no interior do estado. Cid tentava romper uma espécie de barricada feita pelos policiais amotinados usando uma retroescavadeira quando foi atingido.

O UOL mostrou que o vereador Sargento Ailton, de Sobral, era um dos líderes do motim no quartel da cidade, onde Cid foi baleado. O político é sargento da PM do Ceará e organiza atos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro na região ao menos desde 2017. Após a revelação de seu envolvimento no ato, o Solidariedade —partido ao qual é filiado— decidiu expulsá-lo sumariamente.

Ontem, homens do Exército e da Força Nacional assumiram o patrulhamento das ruas em Fortaleza, capital cearense, e em outras cidades. A medida faz parte do decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) assinado pelo presidente Jair Bolsonaro como resposta à crise no estado nordestino.

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