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'Não condenarei povo à miséria para receber elogio da mídia', diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro em coletiva sobre o novo coronavírus - Andre Coelho/Getty Images
O presidente Jair Bolsonaro em coletiva sobre o novo coronavírus Imagem: Andre Coelho/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

25/03/2020 22h21

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou na noite de hoje, em seu perfil do Twitter, que fazer "politicagem" diante do medo das pessoas é um ato covarde. Ele reiterou declarações anteriores defendendo a manutenção da economia na situação de crise diante do avanço do coronavírus: "Não tem como desassociar emprego de saúde."

"É mais fácil fazer demagogia diante de uma população assustada, do que falar a verdade. Isso custa popularidade. Não estou preocupado com isso! Aproveitar-se do medo das pessoas para fazer politicagem num momento como esse é coisa de covarde! A demagogia acelera o caos. Se estivesse pensando em mim, lavaria as mãos e jogaria para a plateia, como fazem uns. Penso no povo, que logo enfrentará um mal ainda maior do que o vírus se tudo seguir parado", escreveu.

Não condenarei o povo à miséria para receber elogio da mídia ou de quem até ontem assaltava o país
Jair Bolsonaro, presidente da República

A mensagem foi publicada pouco depois do Jornal Nacional, que criticou as falas recentes do presidente e dedicou parte da edição da noite a imagens de ruas vazias em diversos países que cumprem a quarentena por causa do coronavírus. Também nesta noite, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Bolsonaro é despreparado para lidar com o país.

Na declaração dada ontem à noite, Bolsonaro acusou a imprensa brasileira de espalhar o pânico em torno do coronavírus.

Quarentena e desemprego

Ainda ontem, o presidente defendeu que a rotina do país retornasse à realidade e teceu críticas aos governadores que determinaram quarentena e fecharam comércios e fronteiras. Já na postagem desta noite, Bolsonaro afirmou que, com empresas paradas, não há como produzir, o que pode levar ao desemprego.

"Quase 40 milhões de trabalhadores autônomos já sentem as consequências de um Brasil parado. Sem produzir, as empresas não terão como pagar salários. Servidores deixarão de receber. Não tem como desassociar emprego de saúde. Chega de demagogia. Não há saúde na miséria", continuou.

Após reunir-se com governadores dos estados, onde protagonizou uma discussão com o tucano João Doria (SP), Bolsonaro voltou a defender que a quarentena se aplique apenas aos idosos e grupos de risco. Também ontem, o presidente chegou a questionar o motivo pelo qual as escolas tiveram aulas suspensas.

"Não queremos descaso com a questão da covid-19. Apenas buscamos a dose adequada para combater esse mal sem causar um ainda maior. Se todos colaborarem, poderemos cuidar e proteger os idosos e demais grupos de risco, manter os cuidados diários de prevenção e o país funcionando", finalizou.

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