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Coronavírus: principal conselheiro de Bolsonaro volta ao trabalho após cura

Telefonemas para Bolsonaro, quebra de quarentena e brigas com a imprensa marcam isolamento de Heleno - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Telefonemas para Bolsonaro, quebra de quarentena e brigas com a imprensa marcam isolamento de Heleno Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

31/03/2020 18h03

Resumo da notícia

  • Segundo o laboratório Sabin, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, não tem mais a doença covid-19
  • Curado do novo coronavírus, o principal conselheiro de Jair Bolsonaro deve voltar ao trabalho entre hoje e amanhã
  • Nos quase 14 dias em que passou a maior parte do tempo em casa, Heleno não apresentou sintomas, segundo informou a assessoria do GSI

Curado do novo coronavírus, o principal conselheiro do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve voltar ao trabalho entre hoje e amanhã. Nesta terça-feira, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Augusto Heleno, divulgou o resultado de um exame que fez ontem. Segundo o laboratório Sabin, o militar não tem mais a doença covid-19.

Heleno faz parte de um grupo de mais de 20 pessoas que contraíram o coronavírus ao viajar aos Estados Unidos, numa comitiva com Bolsonaro para se encontrar com a equipe de Donald Trump.

O ministro tem 72 anos e faz parte do grupo de risco da doença que se tornou uma pandemia, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, nos quase 14 dias em que passou a maior parte do tempo em casa, Heleno não apresentou sintomas, como febre e tosse seca, segundo informou ao UOL a assessoria do GSI.

Hoje, o ministro publicou uma mensagem em rede social. "Agradeço o apoio e as orações de todos os amigos e amigas", escreveu Heleno. "Seguimos juntos na batalha por um Brasil melhor!"

O exame foi coletado às 16h30 de ontem. Os resultados ficaram prontos antes da meia-noite.

Telefone, engano do médico e brigas com a imprensa

No período em que esteve recolhido, o general Heleno prometeu não atender ao telefone — pelo menos, não de todo mundo. Mas ele acabou tendo contato pessoal e telefônico com a equipe do governo. E foi às redes sociais para brigar com a imprensa.

O presidente demonstrou que sentiu falta do conselheiro, ao revelar que falar com ele apenas ao telefone não era a mesma coisa. "Estou chateado", disse Bolsonaro, no dia 20, ao sair do Alvorada. "O maior conselheiro meu está em casa, o general Heleno. Espero que ele supere isso daí. É melhor estar do meu lado do que falar por telefone."

No dia 13 de março, Heleno fez um exame que indicou que ele não estava com a covid-19. No dia 18, porém, o resultado foi positivo. "Estou sem febre e não apresento qualquer dos sintomas relacionados ao COVID-19 (sic)", disse, na ocasião. "Estou isolado, em casa, e não atenderei telefonemas", continuou o ministro.

Depois de uma semana, Heleno quebrou a quarentena. Ele deixou sua residência, em um prédio no Plano Piloto de Brasília, e apareceu no Palácio do Planalto para uma reunião no dia 25. Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão (PRTB) e metade dos ministros da Esplanada estavam presentes no encontro, que durou três horas e foi registrado em redes sociais.

Ao explicar o episódio, o GSI relatou que dois médicos autorizaram a saída do general. No entanto, houve um equívoco deles. "Alertado, pelo Serviço de Saúde, de que houve um engano e que deveria permanecer mais sete dias em isolamento, retornou à sua residência, e, de lá, não mais saiu. Permanece, desde então, em regime de home office", afirmou o órgão, em nota.

Moradores do prédio relataram medo

Depois da ida ao Planalto, vizinhos do general contaram ao site Metrópoles que estavam com medo da presença do general no prédio. Eles reclamaram da saída do ministro antes dos 14 dias de quarentena. No edifício de Heleno, outras duas pessoas foram diagnosticadas com a covid-19.

O síndico do prédio disse ao site que não poderia impedir as pessoas de circularem ou usarem os elevadores. O GSI respondeu que as reclamações da vizinhança "não têm qualquer fundo de verdade" e mencionou a "maledicência de quem não tem o que fazer".

Com a publicação das queixas de seus vizinhos, Heleno foi às redes sociais reclamar. Mas queixou-se do jornalista, chamando-o de "canastrão".

Não foi a única briga com a imprensa. Um articulista de O Globo reprovou a ida do general ao Planalto. Heleno reclamou de "desonestidade intelectual" dele. No domingo (29), uma nota em coluna de jornal dizia que o ministro havia sido barrado em uma reunião. "Fofocas", respondeu o general, pelas redes sociais.

Ministro comemorou meio milhão de seguidores

Isolado, Heleno também comemorou ter atingido a marca de mais de meio milhão de seguidores em uma rede social. De camisa amarela, fez um vídeo e disse que já estava "muito bem" de saúde.

"Devo a cada um de vocês esse apoio fantástico que permite que minhas mensagens cheguem o mais longe possível", anotou o ministro.

O UOL solicitou entrevista com Heleno. Por meio de sua assessoria, ele respondeu que não iria conversar com e reportagem.

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