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Coronavírus: Nunca vi situação e oposição unidas no mesmo ideal, diz Tebet

Do UOL, em São Paulo

31/03/2020 14h19Atualizada em 31/03/2020 18h08

Situação e oposição estão unidas no Congresso Nacional no combate à pandemia do novo coronavírus. É o que garantiu hoje a senadora Simone Tebet (MDB-MS), durante participação no programa UOL Debate, que analisou a atuação de Câmara e Senado frente à covid-19.

"O Congresso está pronto, está preparado. Aliás, eu nunca vi tanta unanimidade em um único tema. Eu estou no Senado há seis anos, e nunca vi situação e oposição unidos em um mesmo ideal, que é o de salvar vidas, não interessa a que preço", disse Tebet (a partir de 6:00 no vídeo), que também preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado.

"O Congresso está unido em dois temas: resguardar e proteger a população mais vulnerável e, paralelo a isso, manter empregos com medidas, com projetos, com iniciativas que atendam a esses interesses", acrescentou.

No entanto, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) sinalizou com apoio às medidas do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), afastando-se da oposição.

"Quando é que para uma epidemia que não tem remédio e não tem vacina? Quando acontece efeito rebanho: vai aumentando o número de casos, vai se propagando invisivelmente. Os casos visíveis, você pode controlar, mas os invisíveis você não controla. Ele vai se propagando com uma velocidade incrível — o padrão dessas curvas é de 13 semanas entre começo e fim, independente do tipo de vírus. Ele para no pico quando 50% da população já têm o vírus. Ele não é um vírus que vai acontecer só em algumas pessoas", disse (a partir de 13:00 no vídeo).

"Fechando escola ou não, fechando comércio ou não, fazendo quarentena ou não, a progressão do vírus não vai ter achatamento de curva. Ele vai fazer a curva que tem que fazer. Nós temos que proteger o grupo de risco, isso que temos que fazer. Inventou-se em cima de uma teoria do Imperial College, que essa epidemia seria pior que a da Gripe Espanhola, que matou 50 milhões de pessoas. Ele previu 2,5 milhões de mortes nos EUA, 500 mil mortes na Inglaterra. Apocalipse! Ele pegou no começo a epidemia na China e fez essa conta. A China já mostrou o que a epidemia é: subiu, desceu, teve 80 mil, 90 mil infectados, 3 mil morreram. A china tem 1,4 bilhão de habitantes", acrescentou.

Para Terra, as mortes na Itália são um caso à parte, decorrentes do intercâmbio comercial com chineses. "Onde mais circula o vírus na Europa é na Lombardia, que tem um grande intercâmbio com a China", teorizou. "Tem mais de 20 mil chineses morando na Lombardia, então trouxeram uma grande quantidade de vírus. É a maior população idosa do mundo e um inverno rigoroso", listou.

Mandetta deve ficar

Em meio à situação no Brasil, a atuação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tem contado com o respaldo de vertentes de oposição e situação. Para o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), não há motivos hoje para uma possível demissão de Mandetta.

"Demitir (o ministro) seria uma irresponsabilidade terrível e o derretimento final com o governo. Independente das medidas de isolamento, a pandemia é recessiva", acredita o representante paulista.

Para Kim, o momento é de rigidez nas medidas de isolamento frente ao enfraquecimento da economia. "A vida não tem preço, mas do ponto de vista econômica, mais morte é menos mão de obra", defendeu.

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