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Randolfe: Processo de impeachment de Bolsonaro é 'irresponsabilidade atroz'

Do UOL, em São Paulo

31/03/2020 15h01Atualizada em 31/03/2020 18h07

Resumo da notícia

  • O senador Randolfe Rodrigues, opositor de Jair Bolsonaro, se posicionou contra um eventual processo de impeachment
  • "Seria de uma irresponsabilidade atroz", opinou o senador, durante sua participação no UOL Debate de hoje
  • Randolfe também disse que a saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, seria outra irresponsabilidade
  • O ex-ministro Osmar Terra (DEM-RS) não acredita nas hipóteses de queda de Bolsonaro ou Mandetta

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), opositor declarado de Jair Bolsonaro (sem partido), se posicionou contrário a um eventual processo de impeachment contra o presidente, por conta de sua postura em meio à pandemia do novo coronavírus.

"Eu sou contrário a qualquer processo de impeachment neste momento. Seria de uma irresponsabilidade atroz", opinou o senador, durante sua participação no UOL Debate de hoje (a partir de 45:10 no vídeo). "O maior problema do governo é que não temos um discurso único. Se ele [Bolsonaro] não está atentando contra a saúde pública, está atentando contra a federação", completou.

Randolfe também comentou sobre a permanência do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no cargo. Para ele, também seria irresponsabilidade demitir Mandetta neste momento, ainda que o ministro e o presidente tenham adotado posicionamentos diferentes quanto ao distanciamento social.

"O dano na economia está dado, mesmo que não estivéssemos em quarentena. Somos dependentes da China, dos Estados Unidos e da Europa; impactando lá, é óbvio que iria impactar aqui. Eu espero que não haja demissão do ministro, porque seria um ato de irresponsabilidade e causaria ainda mais demissão [na sociedade]", avaliou.

Kim Kataguiri: "Seria o derretimento do governo"

O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) concordou que a saída de Mandetta seria irresponsável e "o derretimento final do governo". "Independentemente das medidas de isolamento, a pandemia é recessiva. A vida não tem preço, mas, do ponto de vista econômico, mais morte é menos mão de obra", ponderou (a partir de 56:20 no vídeo).

Já o ex-ministro Osmar Terra (DEM-RS) não acredita nas hipóteses de queda de Bolsonaro ou Mandetta. "Nem demite o ministro, nem cai o Bolsonaro. Tem que afinar o discurso. O ministro é um ótimo ministro. Não é fritura pública. Eu defendo isso desde 2009, que sou contra fazer recessão com uma epidemia que não vai ser devastadora", afirmou (a partir de 1:02:45), referindo-se à epidemia de H1N1.

O UOL Debate de hoje teve a participação dos senadores Simone Tebet (MDB-MS) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e dos deputados federais Osmar Terra (DEM-RS) e Kim Kataguiri (DEM-SP). A discussão foi mediada por Tales Farias, jornalista e colunista do UOL.

Queixa-crime contra Bolsonaro

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, determinou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) analise uma notícia-crime apresentada contra Bolsonaro. O despacho é da última sexta-feira (27) e foi tornado público ontem no sistema do Supremo.

A petição, protocolada na Corte no último dia 25 pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), pede que a Procuradoria promova denúncia contra Bolsonaro, devido ao "histórico das reiteradas e irresponsáveis declarações" feitas por ele sobre a pandemia de covid-19.

Qualquer denúncia de crime comum contra um presidente da República durante o mandato deve ser apresentada pela PGR — hoje ocupada por Augusto Aras. A PGR denuncia ao STF, que pede autorização à Câmara para investigar. Na Câmara, são necessários dois terços dos votos dos deputados para que a investigação seja levada adiante.

Depois disso, a denúncia segue para o STF analisar. Os ministros votam e decidem se o presidente vira réu e é afastado por 180 dias.

A queixa-crime, que cita o distanciamento social pregado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pelo Ministério da Saúde, diz que Bolsonaro, com suas atitudes, infringe "determinações do poder público, destinadas a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa".

A petição lista uma série de declarações e ações do presidente sobre a covid-19, chamadas pelos advogados que subscrevem o documento de "irresponsáveis". Entre elas estão:

O Palácio do Planalto informou, por meio de nota, que não vai comentar o assunto.

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