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Coronavírus: FHC elogia Mandetta e cobra Bolsonaro a falar a verdade

Do UOL, em São Paulo

03/04/2020 11h29Atualizada em 03/04/2020 13h29

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) elogiou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e disse que o atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), precisa ser mais claro com a população em relação à pandemia do novo coronavírus. Em entrevista ao colunista Tales Faria, do UOL, ele disse que a orientação por parte da Presidência é fundamental em tempos de crise.

"Ele tem explicado, acho que a função de quem está no governo é essa. Isso é função do presidente. Isso está faltando um pouco. Acho que o Mandetta é um dos poucos que tenta competir com Bolsonaro, tenta preencher esse vazio. Alguém tem que dizer para que lado andamos. Na crise você tem que manter a chama acesa", disse.

"Nessas horas, em vez de procurar adversários, tem que manter a coesão. Com o Itamar (Franco, de quem FHC foi ministro da Fazenda), o que a gente fazia: vinha a inflação, a decisão mais importante tomada foi 'vamos explicar tudo ao povo'. É uma decisão importante. Nós dissemos o que ia acontecer, para as pessoas se sentirem mais seguras", completou.

Neste sentido, FHC lembrou que muita gente está morrendo de covid-19. "Tem de dizer a verdade". O Brasil registra 299 mortes e 7.910 casos oficiais até agora, segundo o balanço divulgado ontem pelo Ministério da Saúde.

O ex-presidente afirma que o ministro pode agir até o seu limite e que vem desempenhando este papel. "Não conheço o ministro Mandetta, mas ele tem feito o que é possível. Ele fala com uma pessoa normal, fala coisas concretas, mas como é que o presidente tira o poder do outro. Não dá", avaliou o ex-presidente.

Mandetta vem adotando um discurso semelhante à Organização Mundial de Saúde, defendendo o isolamento social por conta da pandemia, enquanto Bolsonaro alega que a medida atrapalha o país, pode causar desemprego e alega que apenas o grupo de risco deveria ficar em quarentena.

"Está chato"

O ex-presidente afirmou já estar entediado com a permanência em casa, mas que entende o momento. "A gente vai vendo as notícias e é pesado. Dou uma volta com minha cachorrinha e não é uma distração que você está cômodo. Está chato, começando a cansar", afirmou o tucano.

Ele admite estar preocupado, principalmente, com a situação dos mais pobres. "Estamos bem, mas imagina quem está vivendo na favela da Rocinha ou na periferia de São Paulo. É brincadeira a dificuldade com um monte de gente debaixo de um teto precário, não tem como se isolar. É um momento de pensar um pouco, o mundo em que nós vivemos, um mundo muito desigual, com milhares de pessoas que não terão atendimento. Está certo um país assim? Difícil, né, precisamos mudar", desabafou.

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