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Maia: Bolsonaro minimiza pandemia e impeachment 'não está na ordem do dia'

13.abr.2020 - Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados - Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
13.abr.2020 - Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados Imagem: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

17/04/2020 10h13

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diante da pandemia do novo coronavírus. Em entrevista à revista Veja, Maia disse que Bolsonaro "minimiza o problema", o que pode ter consequências "enormes" para o país.

Ele disse ter a impressão de que o presidente "vem perdendo apoio porque o diagnóstico dele sobre a pandemia diverge do da maior parte da sociedade."

"O presidente segue a linha daqueles que, em outros países, entenderam que o custo do não isolamento era menor que o custo do isolamento. A diferença é que a maioria dos governantes que seguiram esse caminho já recuou. A postura de Bolsonaro de minimizar a pandemia levou a equipe econômica a demorar muito tempo para se convencer de que o impacto seria grande. Essa postura também provoca conflitos", afirmou.

Impeachment 'não está na ordem do dia'

Questionado se é a favor de um processo deste tipo, Maia disse que não poderia se manifestar, já que a decisão passa necessariamente pela presidência da Câmara.

"Mas acho que esse assunto não está na ordem do dia. A ordem do dia é resolver os problemas. Se focarmos o impeachment, estaremos atendendo ao interesse do próprio presidente, que quer levar a discussão para o ringue da política, e não para o caminho das decisões que vão salvar a vida, o emprego e a renda dos brasileiros mais vulneráveis. O que ele quer é o campo político de conflito."

Ele acrescentou que, por ora, não há atos de Bolsonaro do ponto de vista formal que divirjam do ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial da Saúde). "Agora, é um dado da realidade que as idas dele às ruas têm estimulado as pessoas a participar de aglomerações. Só o tempo dirá as consequências disso."

Guedes 'não é sério'

O presidente da Câmara criticou ainda o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao dizer que ele "não é sério" e passa informações falsas à sociedade sobre a crise de estados e municípios nos próximos meses. Na avaliação dele, Guedes "minimizou demais a crise".

"Da forma como Guedes faz, a impressão que dá é que ele quer impor a posição dele — e, numa democracia, isso não existe. Tínhamos uma proposta de como ajudar estados e municípios, fomos convencidos de que parte dela estava equivocada, mudamos o texto e aprovamos uma versão muito equilibrada. Chegou a ponto de ele dizer que o impacto do projeto pode ser de 285 bilhões de reais. Sabe o que significa? Queda de 100% na arrecadação do ICMS e do ISS. Se ele acha que pode ser isso, o que não será nunca, está dizendo que a crise é muito mais grave do que estamos imaginando. Ou seja: ele não é sério. Se fosse sério, não tentaria misturar a cabeça das pessoas", critica.

Ele disse ainda que "quando você não faz o que o governo quer, é agredido", citando especificamente a situação do agora ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. "Enquanto o Mandetta era querido, ele não tinha adversários, inimigos ou rejeição nas redes sociais. A partir do momento em que passou a enfrentar o governo, apareceu uma artilharia de informações distorcidas a respeito dele, ataques organizados."

Maia diz que há espaço para avançar na reforma tributária ainda este ano, mas que não poderia dar uma previsão sobre a reforma administrativa porque o governo não encaminhou a proposta. "Mas o mais importante é a gente ter conseguido, e foi o Congresso que tomou a iniciativa, separar o orçamento da crise do orçamento fiscal do governo. Ficou claro que não podemos misturar gasto emergencial de curto prazo com os permanentes."

Eleições

Maia disse ainda que Bolsonaro politiza e antecipa a eleição de 2022, negando ter uma agenda eleitoral. "Se eu estivesse com uma agenda eleitoral na cabeça, não teria ficado até as 2 da manhã votando uma medida provisória que é importante para o Brasil, mas também terá um impacto positivo para o governo. A PEC do Orçamento de Guerra dá condições muito fortes ao governo para intervir na crise. Se eu não tivesse comandado a reforma da Previdência, talvez ela não tivesse sido votada até hoje. Quem acusa é exatamente quem tem apenas as eleições como o objetivo permanente", criticou.

Questionado se é a favor do adiamento das eleições municipais, ele classificou a questão da prorrogação de mandatos como "muito perigosa". "A última vez que adiamos uma eleição foi na ditadura militar. Qualquer brecha aberta agora pode gerar no futuro as condições para alguém se perpetuar no poder no Brasil. A prorrogação de um dia que seja vai criar no futuro as condições para que qualquer um invente uma crise e prorrogue o próprio mandato", analisou.

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