PUBLICIDADE
Topo

Quem é Paulo Marinho, ex-aliado dos Bolsonaros que quer ser prefeito do Rio

O empresário Paulo Marinho - Ricardo Borges/UOL
O empresário Paulo Marinho Imagem: Ricardo Borges/UOL

Do UOL, em São Paulo

17/05/2020 11h38

O empresário Paulo Marinho, 68, é suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) e foi um dos principais aliados de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante a campanha presidencial de 2018.

Marinho é atualmente pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio de Janeiro. Ele afirma, em reportagem da Folha de S.Paulo, que Flávio revelou a ele, em 2018, ter recebido informações privilegiadas da Polícia Federal (PF) sobre Fabrício Queiroz, um dos mais importantes assessores do então deputado estadual no Rio.

Segundo a reportagem, Flávio foi avisado com antecedência de que Queiroz, um de seus braços direitos no gabinete da Assembleia Legislativa, era alvo de uma investigação.

Assim que a operação da PF foi realizada, Queiroz passou a ser apontado como operador de um esquema milionário de "rachadinhas", em que parte dos salários de funcionários públicos ligados a Flávio eram desviados para o deputado.

Com as informações passadas de antemão pela PF, Flávio teria tido a oportunidade de demitir Queiroz antes do escândalo vir à tona e, assim, teria conseguido se afastar do desgaste, amplamente divulgado na imprensa.

O senador Flávio Bolsonaro nega que foi informado pela Polícia Federal sobre seu ex-assessor e diz que Marinho quer sua vaga no Congresso Nacional.

"O desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena. Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão. Trocou a família Bolsonaro por Doria e Witzel, parece ter sido tomado pela ambição. É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado", afirmou Flavio, em nota divulgada à imprensa.

Paulo Marinho, Jair Bolsonaro e André Marinho - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Paulo Marinho, Jair Bolsonaro e André Marinho
Imagem: Reprodução/Facebook

Rico e amigo de famosos

Paulo Marinho já foi companheiro da atriz Maitê Proença, com quem teve uma filha, e ganhou ainda mais visibilidade quando sua mansão no bairro do Jardim Botânico, no Rio, foi transformada em QG da campanha de Jair Bolsonaro à presidência. Até mesmo um estúdio para gravações de vídeos publicitários foi montado na casa.

A residência também foi o local escolhido para a primeira reunião da equipe de governo de Bolsonaro após a confirmação de sua vitória nas eleições. Um dos filhos do empresário, André Marinho, atuou como tradutor em uma conversa por telefone entre Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Nascido no Rio, o executivo frequenta a alta sociedade carioca. Trabalhou em corretoras do mercado financeiro no Rio, ganhou dinheiro e passou a ter entre os amigos celebridades e famosos.

Seu envolvimento mais intenso com a política se deu na década de 1980, quando ajudou na campanha vitoriosa de Moreira Franco ao governo do Rio, em 1986.

No começo dos anos 1990, Marinho conheceu Gustavo Bebianno, então estagiário de um escritório de advocacia, e os dois ficaram muito amigos.

Por questões profissionais, o empresário viveu em Brasília entre 2003 e 2006, e foi na capital federal que ele pode ampliar seu horizonte de contatos políticos, por meio, muitas vezes, de grandes jantares oferecidos em sua casa no Lago Sul.

Apoio a Doria e Bolsonaro

Atuando como consultor, Marinho organizou jantares no Rio para apoiar e apresentar o amigo paulistano que queria ser presidente da República: João Doria (PSDB). O nome do atual governador de São Paulo, porém, não foi chancelado pela sigla tucana para a corrida presidencial.

Foi por meio de Gustavo Bebianno que Marinho chegou a Bolsonaro, chamado por ele até hoje de "capitão".

Um dos principais apoiadores de Jair Bolsonaro, Bebianno foi ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência em 2019, mas por pouco tempo. Foi demitido em fevereiro do ano passado. Passou a ser, depois disso, uma voz crítica às ações do presidente e de seus três filhos com cargos políticos: Flávio, Eduardo e Carlos.

Bebianno morreu em março de 2020, aos 56 anos, após sofrer um infarto.

Política