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Chico Alves


Em dezembro, Bebianno disse ao UOL que investigação de Flávio foi "brecada"

Gustavo Bebianno, ex-ministro do governo Bolsonaro - Ricardo Borges/Folhapress
Gustavo Bebianno, ex-ministro do governo Bolsonaro Imagem: Ricardo Borges/Folhapress
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

17/05/2020 11h38

Sem dar os mesmos detalhes que o empresário Paulo Marinho revelou à jornalista Mônica Bergamo ou quaisquer pistas para checar a informação, o ex-ministro Gustavo Bebianno também disse à coluna, em dezembro, que a investigação sobre Flávio Bolsonaro tinha sido "brecada" para não causar prejuízos eleitorais. "Flávio era investigado já durante a campanha. A investigação foi brecada para não atrapalhar a campanha", disse Bebianno, na entrevista publicada em 20 de dezembro do ano passado.

Perguntado sobre detalhes, o ex-ministro se esquivou: "Sobre isso vou falar na hora certa". Bebianno morreu de infarto em março.

As declarações foram feitas em resposta a uma entrevista de Jair Bolsonaro à revista Veja na qual o presidente deu a entender que Bebianno estaria envolvido no plano de Adélio Bispo para matá-lo.

O ex-ministro nunca explicou melhor a acusação, mas a entrevista de Paulo Marinho a Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, revela detalhes de como isso teria acontecido.

Um delegado da Polícia Federal, simpatizante da candidatura de Jair Bolsonaro, teria avisado a Flávio sobre a investigação, diz a matéria. Além disso, policiais teriam atrasado a operação que revelou o esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio para que não houvesse prejuízo eleitoral para Bolsonaro.

Veja abaixo a íntegra da resposta do ex-ministro publicada em dezembro aqui no UOL, em que ele começava tratando da insinuação de traição feita por Bolsonaro e da acusação de que Wilson Witzel teria acesso privilegiado às investigações sobre o caso da "rachadinha". Acabou falando de Flávio Bolsonaro:

"Lembro que há tempos o "nenê 02" (Carlos Bolsonaro), que é outro maluco, fazia esse tipo de acusação em relação ao general Mourão. Agora o presidente tenta acusar o governador Witzel sobre a investigação do MP em relação ao Flávio Bolsonaro, olha que absurdo. Flávio era investigado já durante a campanha. A investigação foi brecada para não atrapalhar a campanha. Witzel não tinha sido eleito, o MP já estava nisso antes da eleição, fazendo investigação focada em vários parlamentares. Flávio era um deles e a investigação foi brecada. Sobre isso vou falar na hora certa".

Chico Alves