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Gustavo Bebianno, ex-ministro de Bolsonaro, morre no Rio de Janeiro

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Emanuel Colombari e Patrick Mesquita

Do UOL, em São Paulo

14/03/2020 07h09Atualizada em 14/03/2020 15h54

Ex-secretário geral da Presidência, Gustavo Bebianno morreu na madrugada de hoje em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. Ele tinha 56 anos de idade e sofreu um infarto fulminante.

Ao UOL, o presidente do diretório do PSDB do Rio de Janeiro, Paulo Marinho, disse que ele passou mal por volta das 4h de hoje. "Infelizmente, é verdade. Passou mal, foi levado ao hospital, tentaram reanimá-lo, mas não resistiu", afirmou por telefone.

Bebianno estava em um sítio com seu filho quando se sentiu mal. Ao ir ao banheiro tomar um remédio, desmaiou. Ele foi levado para um hospital da cidade, onde morreu. O velório e o enterro acontecem na tarde de hoje em Teresópolis.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Marinho disse que Bebianno "morreu de tristeza por tudo que passou" nos últimos meses. De aliado a desafeto de Jair Bolsonaro, Bebianno foi o pivô da primeira crise política do governo. Atualmente no PSDB tinha planos de se candidatar à Prefeitura do Rio nas eleições desse ano.

Nas redes sociais, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), recentemente um dos principais aliados de Bebianno, lamentou a morte do colega de partido (veja outras manifestações de pesar de políticos). Até a tarde deste sábado (14), Jair Bolsonaro não havia se manifestado sobre a morte de Bebianno.

Ascensão política

Advogado de formação, Gustavo Bebianno Rocha nasceu no Rio de Janeiro em 18 de janeiro de 1964. Em 2017, ele foi apresentado ao então deputado federal Jair Bolsonaro, oferecendo-se para defendê-lo gratuitamente em diversas causas. Em pouco tempo, os dois estabeleceram uma relação de confiança.

Bebianno se filiou ao PSL —partido de Bolsonaro entre janeiro de 2018 e novembro de 2019— em março de 2018, mas deixou a sigla poucos meses depois, em outubro, após o segundo turno da eleição presidencial. Neste período, chegou a presidir o partido.

Durante esse período, teve atuação importante durante todo o período envolvendo o atentado a faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) durante a campanha presidencial. O advogado acompanhou o presidenciável durante na viagem à cidade mineira, e esteve a seu lado inclusive durante a cirurgia para tratar o ferimento.

Bebianno e Bolsonaro se aproximaram em 2017, mas advogado deixou o PSL após eleição - Fátima Meira/Futura Press/Folhapress
Bebianno e Bolsonaro se aproximaram em 2017, mas advogado deixou o PSL após eleição
Imagem: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress

Ruptura com clã Bolsonaro

Com a eleição de Bolsonaro, Bebianno se tornou o secretário-geral da Presidência da República. No entanto, apesar de ter assumido a função em 1º de janeiro de 2019, deixou o cargo pouco depois, em 18 de fevereiro, em meio a um racha no PSL em decorrência de denúncias sobre candidaturas laranjas da sigla.

O caso veio à tona em 4 de fevereiro de 2019, quando a Folha de S. Paulo publicou que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), participou de um esquema durante a campanha eleitoral para se beneficiar de verbas públicas destinadas ao cumprimento de cotas de gênero no partido. O ministro escolheu cinco candidatas, que receberam montantes posteriormente destinados a empresas dos assessores dele. As candidatas, juntas, tiveram menos de 5.000 votos.

Bebianno inicialmente foi colocado como responsável pela liberação das verbas, o que foi negado por ele. Afirmava ter informado Bolsonaro sobre os casos já em 2018, tornando-se protagonista da primeira crise do governo Bolsonaro.

A família do presidente negava a existência das conversas, mas áudios confirmaram a versão de Bebianno. Fora da função, Bebianno disse, em entrevista à rádio Jovem Pan, que foi "demitido pelo Carlos Bolsonaro" em referência às discordâncias com o filho do presidente, vereador no Rio.

Em dezembro passado, Bebianno disse ter "fora do Brasil" material com informações relativas a Bolsonaro e ao governo. Ao UOL, o deputado federal Julian Lemos (PSL-PB), um dos amigos mais próximos de Bebianno, confirmou a existência de dois pacotes de documentos e cartas guardados pelo ex-ministro. Um no Brasil e outro no exterior.

Segundo ele, Bebianno como ex-advogado e coordenador da campanha de Bolsonaro, guardou variados documentos e registros de quando era amigo do presidente e trabalharam juntos. O deputado disse não saber se há conteúdo que possa vir a incriminar o presidente por algum motivo e quem teria a posse desses pacotes.

Planos eleitorais e aproximação de Doria

Em dezembro, Bebianno se filiou ao PSDB a convite de João Doria, que tem planos de concorrer às eleições presidenciais e que, apesar de ter surfado na onda bolsonarista, agora é crítico do presidente. No começo de março, os dois anunciaram a pré-candidatura do ex-PSL à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Ainda no começo de março, entrevistado pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, fez mais críticas a Bolsonaro e admitiu preocupação com o governo federal.

"Não tenho bola de cristal, não sei o que vai acontecer. Mas temo por uma ruptura institucional", declarou na ocasião. "Ele praticamente não trabalha pelo Brasil. O risco é esse, a começar pelos filhos. AI- 5 para cá e para lá, críticas infundadas a outros poderes", completou.

Ouça o podcast Baixo Clero (https://noticias.uol.com.br/podcast/baixo-clero/), com análises políticas de blogueiros do UOL.

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"Temo por uma ruptura institucional", diz Bebianno sobre governo Bolsonaro

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