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Salles afirma que Ibama é lento e diz que relatório de ONG é 'militância'

Do UOL, em São Paulo

25/05/2020 19h08Atualizada em 27/05/2020 13h47

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, chamou de "militância" um relatório da ONG Humans Rights Watch (HRW), que denunciou que as sanções a crimes ambientes estão paralisadas na parte brasileira da Amazônia desde outubro de 2019 por causa de um decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele ainda apontou suposta lentidão do Ibama.

"Esse relatório da ONG é típico de militância. Há um relatório da CGU, em março de 2019, que os processos [administrativos] do Ibama demoram 7 anos para serem concluídos. Ou seja, não sou eu ou a atual gestão do Ibama para protelar. É o antigo modelo", afirmou em entrevista concedida ao UOL hoje.

"Se nós estivéssemos no modelo anterior, esses sete meses que a ONG HRW está dizendo 'absurdos' não teriam nem sido concluídos. Veja como é coisa de militância", completou. "O presidente me cobra esses temas publicamente. Agora, ele nunca interferiu sobre nenhum caso específico. O que ele reitera é que esse tipo de medida que tem de ser usado com muita moderação".

Embora Salles tente justificá-la, a frase dita na reunião (veja abaixo) teve repercussão negativa no exterior, sobretudo dentre personalidades ligadas às pautas de defesa do meio ambiente. É o caso da jovem ativista sueca Greta Thunberg.

"Parte da repercussão no exterior é propositalmente orquestrada por entidades que querem levantar projetos sociais, querem dinheiro lá fora. Mas tudo bem, isso faz parte", acusou.

"O governo tem um projeto sustentável para a Amazônia. O recurso que eles estão nos negando na compra de carbono poderia ir para a preservação da floresta", comentou. "Boicotar o produto brasileiro no exterior só vai piorar. Os locais onde há mais pobreza têm desrespeito com a natureza", disse Salles.