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Moro vai virar comentarista de operação policial, não liderança, diz Dirceu

Do UOL, em São Paulo

29/05/2020 14h59

Ex-deputado federal (PT-SP) e ex-ministro da Casa Civil do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), José Dirceu criticou o ex-juiz Sergio Moro, que deixou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública após acusar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de tentar interferir na Polícia Federal. Segundo Dirceu, Moro vai virar comentarista de operação policial, e não liderança.

"Ele [Moro] vai ter que encontrar um caminho para ele. Ele não tem propostas, discursos. Ele esteve no Fantástico [da TV Globo] e pareceu um homem acovardado, sem princípios, que nem conseguia terminar as frases para explicar por que ficou no governo", disse em participação no UOL Entrevista de hoje.

"Ele já tinha relação com o Bolsonaro já para ir para o governo, ser ministro ou ser candidato à presidência da República. Isso confirmou o caráter da Lava Jato, fora que a Lava Jato destruiu o Brasil, o uso político, a instrumentalização. Ele tem uma base eleitoral, mas a curva começou a cruzar. A rejeição é maior que a aprovação", declarou.

Dirceu ainda citou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa para analisar a situação de Moro.

"O Joaquim Barbosa [teve] o fim que todos conhecem: se aposentou aos 60 anos e virou celebridade. O Moro vai virar comentarista de operação policial. Quando tem uma operação, entrevistam ele para opinar. Não digo que ele não tem apoio, que não seja legítimo ele querer ser candidato, mas não vejo nele as condições de uma grande liderança carismática", finalizou.

Dirceu seguiu com o tom crítico ao comentar a saída de Moro do ministério e afirmou que o presidente Bolsonaro o empurrou "para fora do governo a chutes".

"O Bolsonaro defenestrou ele [Moro], empurrou ele para fora do governo a chutes. Se ele ficasse, ia ser humilhado e virar pó. O Bolsonaro quer transformar a Polícia Federal em polícia política. Não digo que a PF vai aceitar ou que é, mas é o objetivo dele. Ele quer que Coaf, Ministério Público, não investiguem ele, a família e os amigos. Ele não esconde. Ele quer colocar os serviços no projeto político dele. Isso já é suficiente para ele sofrer o impeachment", acrescentou.

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