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Com hino e orações, ato pró-intervenção militar diminui e reúne 100 em SP

Dispersão de ato na Zona Oeste de São Paulo - Luis Adorno/UOL
Dispersão de ato na Zona Oeste de São Paulo Imagem: Luis Adorno/UOL

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, de São Paulo

07/06/2020 17h19

Um grupo pequeno se reuniu na Avenida Paulista, em São Paulo, em ato a favor da intervenção militar neste domingo. No primeiro final de semana após o tumulto no dia 31, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltaram a pedir a destituição do STF (Supremo Tribunal Federal) e o impeachment do governador João Doria (PSDB-SP).

Com bandeiras do Brasil e de Israel, o ato, organizado pelas redes sociais, começou por volta das 13h e até o fim, às 17h, não tinha reunido 100 pessoas, em contagem do UOL confirmada pelo porta-voz da Polícia Militar (PM). O esvaziamento frustrou parte dos presentes.

"Cadê os patriotas? [Na manifestação do] dia 15 de março, tinham 200 mil. Estão com medo de antifa? Não temeram o coronavírus, vão temer bandido? Temos que defender o país", gritou um dos manifestantes com a câmera apontada para o rosto, em transmissão ao vivo.

As pautas foram as mesmas de manifestações anteriores: apoio a Bolsonaro, ofensas a ministros do STF, à imprensa e ao governador João Doria (PSDB) e pedidos de intervenção militar. "A única barreira entre nós e o comunismo são as Forças Armadas", gritava um manifestante aos carros que passavam.

"Eu quero um país livre. Livre do comunismo, livre da corrupção, livre dos bandidos. O presidente foi eleito e não deixam ele governar", declarou a aposentada Lucia Azevedo. Para ela, só "por meio do Exército" Bolsonaro conseguirá "manter a ordem".

Grupo canta o hino nacional  - Lucas Borges Teixeira/UOL - Lucas Borges Teixeira/UOL
Imagem: Lucas Borges Teixeira/UOL

"Queremos trabalhar"

Parte também questionava as recomendações de distanciamento social da OMS (Organização Mundial da Saúde) para contenção da covid-19 e pedia a reabertura do comércio. "Queremos trabalhar" era um dos gritos frequentes.

"Estou com a minha barbearia fechada há oitenta dias. Agora me diz, como eu vou sobreviver? O Doria não pensa no povo", afirmou o barbeiro Antonio Carlos, com uma camisa com a bandeira de São Paulo.

Ele diz ser defensor do impeachment de Doria por ele ter "traído" seus eleitores. "Ele só usou o nome [Bolsodoria] e depois mostrou sua face. Nunca mais vai ter meu voto", declarou.

Entre os manifestantes — alguns sem máscara — era comum ver abraços e apertos de mão, práticas não recomendadas pelo Ministério da Saúde.

"Pode se aglomerar para fazer festa funk, protesto violento de esquerda, mas para lutar pelo meu país, não? Não vou me calar e nem ficar em casa", questionou uma manifestante que não quis ser identificada.

Ela diz que é o terceiro domingo que vem ao ato e que continuará a participar nos próximos para "combater a ditadura do STF". "Estão todos contra o nosso presidente, mas ele está com o povo e as Forças Armadas. É só o que ele precisa", declarou.

Força tática em frente à praça do Ciclista - Lucas Borges Teixeira/UOL - Lucas Borges Teixeira/UOL
Imagem: Lucas Borges Teixeira/UOL

Duas pessoas detidas

Para chegar à esquina entre a Paulista e a Rua Pamplona, onde o grupo se aglomerou, era preciso passar por uma revista da Polícia Militar. O mesmo acontecia com quem saía com bolsas ou mochilas da estação Trianon-MASP.

Em toda a tarde, a reportagem presenciou pequenos princípios de confusão, todos relacionados a críticos ao movimento que passavam pela multidão. Segundo a PM, duas pessoas foram detidas. Elas portavam coquetéis molotov, galão de gasolina, bastão de madeira, spray e garrafas.

Após a dispersão, Cavalaria, Força Tática e BOPE formaram uma barreira em frente à Praça do Ciclista.

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