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Bolsonaro recria Ministério das Comunicações com genro de Silvio Santos

Allan Simon e Guilherme Mazieiro

Do UOL, em São Paulo e Brasília

10/06/2020 22h42Atualizada em 11/06/2020 11h06

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou hoje em sua página no Facebook que vai recriar o Ministério das Comunicações e nomear como titular da pasta o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN). O parlamentar é casado com a apresentadora Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, dono do SBT. O decreto já foi publicado no "Diário Oficial da União".

Segundo Bolsonaro, será publicada uma MP (Medida Provisória) para desmembrar o atual Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que atualmente é chefiado por Marcos Pontes.

No Twitter, Pontes desejou sucesso a Faria na organização do novo ministério. "Recriado o Ministério das Comunicações pelo presidente Bolsonaro. Continuamos juntos a compor a equipe do governo no comando da Ciência, Tecnologia e Inovações. Desejo sucesso ao ministro Fábio, que conta com meu apoio para organizar o novo ministério."

"Sem nenhum aumento de despesa, utilizando apenas de cargos de estruturas já existentes, o Presidente da República recriou o Ministério das Comunicações. A Secretaria Especial de Comunicação Social, hoje na Secretaria de Governo da Presidência da República, foi extinta e suas competências incorporadas ao novo Ministério", diz nota do governo federal.

Quem é Fábio Faria?

Fábio Faria é deputado federal desde 2007 e está no PSD desde 2011. O partido é considerado como parte do chamado "Centrão" no Congresso Nacional, embora um dos líderes da legenda, o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab tenha negado esse rótulo em entrevista ao UOL.

O Ministério das Comunicações existiu até 2016, quando a ex-presidente Dilma Rousseff foi afastada pelo Senado após a Câmara aprovar a abertura do pedido de impeachment que mais tarde terminaria com a cassação definitiva de seu mandato. Os governos petistas eram criticados pela quantidade de ministérios. Em 2015, eram 39.

O então presidente interino Michel Temer foi o responsável pela extinção da pasta, que foi criada ainda na ditadura militar pelo presidente Humberto de Alencar Castello Branco, em 1967. Nos últimos quatro anos as funções sempre estiveram com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Após vencer as eleições de 2018, Bolsonaro adotou o discurso do corte de ministérios. Assumiu o governo com 22 pastas, embora tivesse falado em 15 durante a campanha e que "não chegaria a 20" já como presidente eleito.

A avaliação de fontes no PSD é de que Faria é muito próximo ao presidente Bolsonaro. Nas últimas semanas passou a monitorar, para o presidente, redes sociais para ver quem era fiel ou não ao bolsonarismo.

Faria ocupa a 3ª Secretaria da Mesa Diretora da Câmara, um novo nome deve ser indicado pelo PSD. Dentro da bancada há um entendimento de que a nomeação é por apelo pessoal de Bolsonaro e proximidade de Silvio Santos.

No entanto, o PSD faz parte do grupo chamado centrão e recentemente nomeou um cargo para Funasa.

Sobre o cargo de Faria, há um entendimento no partido de que deve se fazer uma nova eleição para a 3ª Secretaria na Mesa Diretora. O partido deve escolher, por acordo, um candidato para mandato tampão para a 3ª Secretaria da Câmara.

O cargo é responsável por autorizar o reembolso das despesas com passagens aéreas, no interesse do mandato parlamentar.

Desde o ano passado, Faria trabalhou para aproximar o sogro Silvio Santos de Bolsonaro, o que ajudou o presidente a criar uma ponte junto à mídia tradicional. Ele auxiliou na participação do presidente em programas do SBT, por exemplo.

Há o entendimento de que o novo ministro, por ser próximo a Bolsonaro passa imagem de uma indicação pessoal de Bolsonaro, mas ao mesmo tempo contempla o PSD, ligado à área. O número 2 da pasta de Marcos Pontes, é o ex-deputado federal Júlio Semeghini, que presidiu a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara e é próximo de Kassab.

A divisão do ministério passou o sinal, na visão de alguns parlamentares, de que o governo iniciou um movimento embrionário para recriar outros ministérios como o das Cidades e Desenvolvimento Econômico. Além de fragilizar Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), cujo cargo virou alvo de cobiça do centrão.

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