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Governadores do NE criticam Bolsonaro: 'negacionismo é prática permanente'

Governadores na reunião do Consórcio Nordeste, em Teresina (PI), em agosto de 2019 - Roberta Aline/Governo do Piauí
Governadores na reunião do Consórcio Nordeste, em Teresina (PI), em agosto de 2019 Imagem: Roberta Aline/Governo do Piauí

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

12/06/2020 18h39

Os governadores do Nordeste divulgaram uma carta hoje endereçada ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reclamando da fala que incentivou a invasão a hospitais e das operações da Polícia Federal para apurar a compra de equipamentos para a covid-19.

"Repudiamos abusos e instrumentalização política de investigações. Isso somente servirá para atrapalhar o combate ao coronavírus e para produzir danos irreparáveis aos gestores e à sociedade", destacam os nove chefes de estado da região.

Para os governadores, há um momento de instabilidade política criado pelo próprio presidente. "No último episódio, que choca a todos, o presidente da República usa as redes sociais para incentivar as pessoas a INVADIREM HOSPITAIS, indo de encontro a todos os protocolos médicos, desrespeitando profissionais e colocando a vida das pessoas em risco, principalmente aquelas que estão internadas nessas unidades de saúde", diz o texto.

Os governadores alegam que o presidente segue o "mesmo método inconsequente que o levou a incentivar aglomerações por todo o país, contrariando as orientações científicas, bem como a estimular agressões contra jornalistas e veículos de comunicação, violando a liberdade de imprensa garantida na Constituição."

"Além de tudo isso, instaura-se no Brasil uma inusitada e preocupante situação. Após ameaças políticas reiteradas e estranhos anúncios prévios de que haveria operações policiais, intensificaram-se as ações espetaculares, inclusive nas casas de governadores, sem haver sequer a prévia oitiva dos investigados e a requisição de documentos. É como se houvesse uma absurda presunção de que todos os processos de compra neste período de pandemia fossem fraudados, e governadores de tudo saberiam, inclusive quanto a produtos que estão em outros países, gerando uma inexistente responsabilidade penal objetiva", reclamam.

No texto, os governadores ainda afirmam que essas operações produzem duas consequências imediatas negativas. "A primeira, uma retração nas equipes técnicas, que param todos os processos, o que pode complicar ainda mais o imprescindível combate à pandemia. O segundo, a condenação antecipada de gestores, punidos com espetáculos na porta de suas casas e das sedes dos governos", pontuam.

Os governadores nordestinos, porém, defendem que as investigações devem ser feitas, "porém com respeito à legalidade e ao bom senso. "Por exemplo, como ignorar que a chamada 'lei da oferta e da procura' levou a elevação de preços no MUNDO INTEIRO quanto a insumos de saúde? Ressalte-se que, durante a pandemia, houve dispensa de licitação em processos de urgência, porque a lei autoriza e não havia tempo a perder, diante do risco de morte de milhares de pessoas", explicam.

Os nove chefes de estados nordestinos ainda alegam que, desde o início da pandemia, os governos locais têm buscado atuação coordenada com o Governo Federal. "Tanto que, na época, solicitamos reunião com o Presidente da República, Jair Bolsonaro, que foi realizada no dia 23/03/2020, com escassos resultados. O Governo Federal adotou o negacionismo como prática permanente, e tem insistido em não reconhecer a grave crise sanitária enfrentada pelo Brasil, mesmo diante dos trágicos números registrados, que colocam o país como o segundo do mundo, com mais de 800 mil casos", afirmam.

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