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Gilmar compara militarização do governo a 'aparelhamento' de gestões do PT

Ministro do STF Gilmar Mendes - ADRIANO MACHADO
Ministro do STF Gilmar Mendes Imagem: ADRIANO MACHADO

Do UOL, em São Paulo

15/06/2020 09h13Atualizada em 15/06/2020 11h01

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes comparou a militarização do atual governo a um "aparelhamento" das gestões do PT. Ele falou ainda sobre as manifestações ontem em Brasília e alertou para necessidade de prevenção: "daqui a pouco pode ter bala".

"No passado, a gente se referia ao PT como o partido do aparelhamento, não é? Falava-se até de uma forma bastante cômica que era o 'partido da boquinha'", disse Gilmar em entrevista à rádio Bandeirantes.

"Agora parece que se está a buscar esse aparelhamento de oficias das forças armadas", completou o ministro.

O ministro também citou as recentes medidas adotadas pelo Ministério da Saúde em relação à divulgação dos dados sobre mortes e contaminações pelo novo coronavírus.

"Nós vimos as decisões que foram tomadas - retirada de informações, suspensão da divulgação do número de mortes e coisas do tipo - que certamente não eram condizentes com o perfil técnico que sempre nós reconhecemos aos quadros das forças armadas", disse ele.

"Ali, eu acho que houve um certo atabalhoamento, uma certa perplexidade e eu espero que isso se corrija", continuou.

Manifestações

Gilmar também falou sobre os movimentos que ganharam visibilidade após atos em Brasília.

"Uma militante dirige um grupo que seria "os 300", talvez querendo mimetizar os 300 de Leônidas. Fizeram aquela marcha com tochas e coisas do tipo e agora decidiu fazer aquela manifestação a partir do Congresso Nacional rumo ao Supremo Tribunal Federal e aí houve essas reações já conhecidas", explicou ele.

A militante a quem o ministro se refere é Sara Winter, porta-voz do grupo "300 do Brasil". Ela foi presa nesta manhã pela Polícia Federal por meio de um mandado expedido pelo STF. Além dela, outras cinco pessoas também foram alvos de mandados de prisão temporária, mas não tiveram a identidade revelada.

Já as reações citadas por Gilmar se referem a um grupo não identificado que lançou fogos de artifício contra o prédio do STF ontem, simulando um bombardeio.

"Quando se trata desses ataques diretos à Constituição, hoje alguém está atirando fogos, daqui a pouco pode ter bala, precisamos nos prevenir", disse.

Bolsonaro

O ministro também falou sobre a presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em manifestação que segundo ele são "claramente antidemocráticas".

Gilmar conta que chegou a conversar com o presidente sobre isso e pediu para que ele não comparecesse mais a esse tipo de ato.

"Tanto é que ele começou a se preocupar e dizer: 'veja que é uma manifestação ordeira, não há ataques a outras instituição'", disse o ministro.

Ele também explica que os movimentos pró-governo poderiam passar mensagens mais "proveitosas" e evitar constrangimentos como nas lives do presidente na saída do Alvorada.

"Jornalistas tomaram uma decisão em relação àquele grupo que ficava lá no Alvorada", disse ele. "Aquele grupo que popularmente é chamado de gado e fica ali para dar eco às palavras do presidente e que agrediam os jornalistas", continuou.

Em maio, os veículos UOL, Folha, Band, grupo O Globo e o site Metrópoles anunciaram que deixaram de cobrir o Palácio da Alvorada por falta de segurança.

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