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Política

Aliados de Bolsonaro são alvos de operação da PF contra atos antidemocracia

Afonso Ferreira e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo e em Brasília*

16/06/2020 07h58Atualizada em 16/06/2020 12h13

A Polícia Federal cumpre na manhã de hoje 21 mandados de busca e apreensão em desfavor de aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Entre os alvos estão dirigentes da sigla que o mandatário tenta fundar, o Aliança pelo Brasil, um deputado federal e blogueiros e youtubers de direita.

As ordens são do STF (Supremo Tribunal Federal) e foram autorizadas no âmbito de um inquérito chefiado pelo ministro Alexandre de Moraes. O procedimento investiga a origem de recursos e a estrutura de financiamento de grupos suspeitos de promoverem manifestações de rua com pautas antidemocráticas.

São mobilizados agentes da PF em cinco estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Santa Catarina) e no Distrito Federal.

Eventuais informações e provas obtidas pela Polícia Federal também poderão ser utilizadas em outro inquérito em curso no STF: o que apura produção e disseminação de fake news. As investigações são conexas e miram apoiadores do presidente e membros da cúpula bolsonarista.

Alvos

Entre 21 alvos da operação realizada hoje estão Luiz Felipe Belmonte e Sérgio Lima, respectivamente vice-presidente e marqueteiro do Aliança pelo Brasil. A informação foi confirmada ao UOL por Lima. Segundo ele, os policiais estiveram nesta manhã em endereços residenciais e comerciais.

Blogueiros e youtubes de direita também estão entre os investigados. Três deles foram identificados como Émerson Teixeira, mais conhecido como "professor opressor", Fernando Lisboa e "Ravox".

Pelas redes sociais, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) e o blogueiro Allan dos Santos, do site "Terça Livre", disseram que policiais federais estiveram em suas casas na manhã de hoje. Allan já foi alvo de busca e apreensão.

"Polícia Federal em meu apartamento. Estou de fato incomodando algumas esferas do velho poder. E cada dia estarei mais firme nessa guerra", escreveu o deputado Daniel Silveira no Twitter.

Em outra mensagem, o deputado afirmou que foi até a sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro, mas exerceu seu direito de permanecer em silêncio até que tivesse acesso ao inquérito.

Policiais federais cumpriram mandado no gabinete do congressista, em Brasília. Segundo apurou o UOL, foram levados computadores. O material será analisado pela perícia.

Em nota, o "Terça Livre" disse que a Polícia Federal está novamente em sua sede, a casa de Allan dos Santos. O militante bolsonarista já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em operação da PF em 27 de maio. Naquela ocasião, 29 mandados foram cumpridos para investigar rede que financiava fake news.

Em sua conta no Twitter, a youtuber Camila Abdo, do canal Direto aos Fatos, publicou um vídeo dizendo que recebeu a Polícia Federal em sua residência.

"Recebi a Polícia Federal hoje, já fui depor, foi super tranquilo, os agentes super educados, chegaram aqui com muito respeito, pegaram as coisas, levaram meus dois aparelhos [celular] e meu computador, não entraram com arma em punho, não tenho nada para falar da Políca Federal... Só que assim, estamos sendo cassados", disse a youtuber.

O youtuber Ravox Brasil também disse em ter recebido a visita de policiais federais na manhã de hoje.

"A Policia Federal acabou de sair da minha casa, a pedido de Alexandre de Moares (STF). Estou sem os equipamentos de gravação e transmissão, além do meu celular. Estamos sendo censurados por uma instituição que deveria fazer justiça ao encontro de cidadãos de bem", escreveu no Twitter.

Atuação articulada

De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), uma das linhas de apuração é que "os investigados teriam agido articuladamente com agentes públicos que detêm prerrogativa de foro no STF para financiar e promover atos que se enquadram em práticas tipificadas como crime pela Lei de Segurança Nacional".

Um dos agentes públicos investigados é justamente o deputado bolsonarista Daniel Silveira, alvo da ação realizada hoje. Ele deve depor ainda hoje na Polícia Federal. Esgota-se nessa semana o prazo dez dias que o ministro Alexandre de Moraes havia estipulado para que ele fosse ouvido pela PF.

Prisão de Sara Winter

Ontem, a ativista Sara Winter, líder do grupo 300 do Brasil, foi presa temporariamente no mesmo inquérito que investiga atos contra a democracia.

O inquérito foi aberto em abril, a pedido da Procuradoria-Geral da República, para investigar, dentro da Lei de Segurança Nacional, a organização e o financiamento de atos contra a democracia. Vários deles tiveram a participação de Bolsonaro, que chegou a discursar em uma das manifestações realizada em frente ao quartel-general do Exército em Brasília. O presidente, no entanto, não é alvo da investigação.

* Com informações da Reuters e da repórter Luciana Amaral, do UOL, em Brasília

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a legenda da foto que ilustra esta reportagem, o protesto que aparece na imagem ocorreu em Brasília, e não em São Paulo. A legenda foi corrigida.

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