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Wassef diz que omitiu informações sobre Queiroz de Flávio e Jair Bolsonaro

Frederick Wassef, advogado dos Bolsonaros - Daniel Marenco/Agência Globo
Frederick Wassef, advogado dos Bolsonaros Imagem: Daniel Marenco/Agência Globo

Do UOL, em São Paulo

21/06/2020 20h31Atualizada em 21/06/2020 23h17

O advogado Frederick Wassef disse que soube de algumas vezes em que Fabrício Queiroz frequentou seu imóvel em Atibaia (SP), mas afirmou que omitiu essas informações do presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista à CNN, ele disse que Queiroz passou por duas cirurgias em Bragança Paulista e, por isso, frequentava o seu imóvel, que fica próximo.

"Eu sabia que ele frequentava [o imóvel]. Eu não sabia que ele estava lá no dia da prisão", disse. "Nunca, jamais o presidente Jair Bolsonaro soube ou teve conhecimento desses atos, desses fatos. Essa é minha inteira responsabilidade. Eu omiti essas informações do presidente da República e do senador Flávio Bolsonaro".

Ele se negou a dar mais informações sobre o motivo de Queiroz estar em um imóvel seu, mas negou que o estava escondendo.

Questionado se sabia como Queiroz chegou à sua casa, Wassef disse que a ética profissional de advogado o impedia de falar. "Hoje, temporariamente, por uma questão de sigilo profissional, ética profissional, eu não posso, porque para eu dar essas informações, eu vou ter que explicar a íntegra do A ao Z e, se eu fizer isso, eu estarei ferindo o sigilo profissional, a ética profissional, e estaria prejudicando todo o processo, inclusive o meu cliente".

Wassef deu a entender que futuramente explicará como Queiroz foi parar em sua casa. "No momento oportuno será um grande prazer explicar na íntegra essa história".

O advogado reafirmou que não teve qualquer contato com Fabrício Queiroz e garantiu que isso será comprovado pela polícia a partir da quebra do sigilo telefônico. "Eu não tenho telefone do Queiroz, [não] troquei mensagem, nunca tive contato direto com o Queiroz".

Quem é Fabrício Queiroz

Queiroz já foi policial militar e é amigo do presidente Bolsonaro desde 1984. Reformado na PM, trabalhou como motorista e assessor de Flávio, então deputado estadual pelo Rio.

Ele passou a ser investigado em 2018 após um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicar "movimentação financeira atípica" em sua conta bancária, no valor de R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Queiroz foi demitido por Flávio pouco antes de o escândalo vir à tona.

O último salário de Queiroz na Alerj foi de R$ 8.517, e ele teria recebido transferências em sua conta de sete servidores que passaram pelo gabinete de Flávio. As movimentações atípicas levaram à abertura de uma investigação pelo MP-RJ.

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