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Quem é Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro preso em Atibaia

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

18/06/2020 09h12

Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, foi preso na manhã de hoje em Atibaia, interior de São Paulo. Ele, que é amigo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde 1984, ficou conhecido em uma operação ligada à Lava Jato do Rio, que investigava o pagamento de propina a deputados por parte do governo estadual.

Trata-se da Operação Furna da Onça, iniciada em janeiro de 2018 por ordem do Ministério Público do Rio. A investigação partiu de um relatório de um órgão de inteligência financeira que apontou movimentações suspeitas de dinheiro por parte de assessores parlamentares, incluindo Queiroz.

Conheça quem é Fabrício Queiroz e quais as suspeitas contra ele:

Quem é Fabrício Queiroz?

Fabrício José Carlos de Queiroz, 54, foi subtenente da polícia militar por 31 anos, até 2018. Como PM, se envolveu em dez mortes de suspeitos em confronto. Considerado próximo da família Bolsonaro, ele já foi visto em fotografias durante confraternizações. Seu último cargo estava ligado ao senador Flávio Bolsonaro, então deputado na Assembleia Legislativa do Rio.

Além de assessor parlamentar, ele era o motorista e segurança de Flávio. Com uma renda de R$ 23 mil, segundo o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ele acabou exonerado do gabinete em outubro de 2018. Além dele, sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar, e as filhas Nathalia e Evelyn de Queiroz já trabalharam para Flávio.

O que é "rachadinha"?

Segundo o MP, Flávio Bolsonaro lavou até R$ 2,3 milhões utilizando uma loja de chocolates e negociações imobiliárias. O dinheiro teria origem em um esquema de "rachadinha" comandado por Queiroz no gabinete do deputado, em que os funcionários dos parlamentares são contratados sob a condição de devolver parte de suas remunerações. Até milicianos teriam se beneficiado do esquema.

Apenas entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão. O valor é incompatível com o patrimônio do então motorista.

Quais os indícios?

Os promotores revelaram 483 depósitos de 13 ex-assessores na conta bancária de Queiroz. As transferências foram por meio de cheques e dinheiro vivo.

Queiroz vendia carros?

Em um programa de televisão, Queiroz justificou a movimentação atípica em sua conta afirmando ser um comprador e vendedor de carros usados.

Ele fez depósito na conta de Michelle Bolsonaro?

Uma das transações de Queiroz foi o depósito de um cheque de R$ 24 mil na conta da hoje primeira-dama Michelle Bolsonaro. Embora o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenha afirmado que a primeira-dama recebeu o cheque como parte de uma dívida de R$ 40 mil que tinha com o motorista, essa dívida não foi declarada no Imposto de Renda. O dinheiro foi para a conta de Michelle porque Bolsonaro não tinha "tempo de sair".

Qual a relação da "rachadinha" com a loja de chocolates?

Para o MP, o alto volume de depósitos em dinheiro na conta da loja de chocolates revela que esse foi o jeito encontrado por Flávio para lavar o dinheiro, ou torná-lo aparentemente lícito. A suspeita se deve à desproporção do lucro obtido pelo hoje senador com a loja, que fica em um shopping no Barra da Tijuca, no Rio.

E os apartamentos?

Ao pedir a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Flávio, o Ministério Público viu indícios de lavagem de dinheiro em transações imobiliárias. O senador lucrou R$ 300 mil em um curto período de tempo por meio de transações suspeitas de 19 imóveis no Rio.

MP investiga Flávio Bolsonaro e Queiroz

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